| 12.05.2008 – Missão
Continental A
proposta feita em Aparecida começa a ganhar
conteúdo para ser colocada em prática.
Ao
voltar da Assembléia Anual dos Bispos
em Itaici, Dom João Bosco respondeu às
perguntas do Estrela Matutina. Ele fala das
novas Diretrizes Gerais, do novo Projeto Nacional
de Evangelização e da Missão
Continental, fruto da Conferência de
Aparecida. Como é que tudo isso vai
chegar até a nossa vida cristã de
cada dia.
Estrela – A Assembléia da CNBB
teve como assunto principal o estudo e aprovação
das novas Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora no Brasil (DGAE). Como se fez
essa elaboração e qual a finalidade?
Dom
João Bosco – As Diretrizes
são uma expressão muito clara
do espírito de comunhão eclesial
que existe na Igreja no Brasil. Desde que foi
fundada a CNBB, há mais de 50 anos,
houve sempre um desejo de caminhar juntos,
e isso nem sempre é fácil num
país que tão grande e tão
diferenciado. Nas últimas décadas,
a CNBB foi aperfeiçoando o seu planejamento
pastoral e atualmente, a cada quatro anos,
se produz esse texto que é discutido
e revisado, emendado e aprovado por todos os
Bispos e votado na Assembléia. Assim,
todo o Brasil caminha na mesma direção.
Esta última versão das DGAE foi
elaborada por uma comissão nomeada para
esse fim. O texto foi enviado a todos os bispos
para ser estudado e enriquecido com muitas
emendas. Agora aprovado servirá como
fonte de inspiração para a pastoral
das dioceses até 2010.
Estrela – Mas a Bíblia não
muda, nem as verdades da fé. Porque
mudam tão rápido as diretrizes?
Dom
João Bosco – Jesus Cristo é o
mesmo, sempre, mas a nossa vida é que
muda rapidamente. Então também é preciso
mudar o jeito de anunciar Jesus Cristo ao homem
de hoje. O documento faz uma análise
do mundo atual, da vida das pessoas, dos rumos
da sociedade – dos “sinais dos
tempos” como dizia o Papa João
XXIII – e a partir daí propõe
os traços da ação evangelizadora
apropriados para o homem de hoje.
Estrela – O que é que
pode ser destacado como novo, desta vez?
Dom
João Bosco – Há nessas
DGAE uma forte influência do documento
da V Conferência de Aparecida. Toda a
visão inicial da realidade brasileira,
como em Aparecida, não é uma
sisuda análise sociológica, mas
uma visão de discípulos animados
pela perspectiva missionária. Claro
que a análise não deixa de ser
bem realista, apontando os desafios que o missionário
têm pela frente. Os grandes temas de
Aparecida são retomados, com acento
na “missão permanente” que
cada cristão assumir. Há um convite
claro para a “conversão pastoral” e
para a “renovação das estruturas”,
expressões que sinalizam não
apenas remendos novos em panos velhos, mas
uma nova mentalidade e novas formas de ação.
Por fim a Igreja do Brasil assume o compromisso
da Missão Continental, em sintonia com
Aparecida e em comunhão com todos os
países latino-americanos.
Estrela – E como é que isso vai
chegar até as nossas comunidades? Nossa
gente das comunidades será capaz de
ler os documentos e por em prática o
que está aprovado lá?
Dom
João Bosco – Não,
não é bem assim. Claro que é muito útil
se você quiser tomar o documento e estudar.
Mas a realização disso vai acontecendo
num grande processo que envolve várias
etapas. O passo seguinte é transformar
as Diretrizes num “Projeto Nacional de
Evangelização”. Já tivemos
alguns desses planos antes. Lembram-se do projeto “Rumo
ao Novo Milênio”? Ele vigorou entre
os anos 1999 a 2000. Depois veio o “Ser
Igreja no Novo Milênio”, de 2001
a 2003. Em seguida o projeto “Queremos
ver Jesus – Caminho Verdade e Vida”,
que foi estendido até 2007, à espera
da V Conferência. Agora teremos um novo
projeto, talvez com o nome de “Discípulos
Missionários”. Já foi apresentado
na Assembléia um esboço desse
novo projeto.
Estrela – Já é possível
conhecer o perfil geral desse novo Projeto?
Dom
João Bosco – É difícil
dizer com certeza, pois o novo projeto ainda
está em fase de elaboração.
Terá um objetivo bem delineado, por
certo, na linha da missão permanente.
O projeto levará em conta a realização
de um evento latino-americano, que acontece
no Equador, em agosto: o CAM 3 - COMLA 8 (3º Congresso
Missionário Americano e o 8º Congresso
Missionário Latino Americano). Também
levará em conta o Ano Paulino que começa
em junho, e o Ano Catequético que será em
2009, além do Congresso Eucarístico
Nacional que será em Brasília,
em 2010.
São grandes eventos que já estão
programados, e que vão dar ocasião
e motivação para o projeto. Como
nos anteriores, haverá uma série
de livretos, roteiros para as homilias dominicais,
orientações para os grupos de
reflexão e outros materiais que tornarão
a linguagem bem apropriada para os nossos agentes
de pastoral, para os movimentos e aí sim
chegará, ao nível de planejamento
diocesano e paroquial.
Estrela – E de que forma se chegará,
enfim, à Missão Continental?
Dom
João Bosco – O CELAM pretende
fazer o lançamento oficial da Missão
também no CAM 3 - COMLA 8, em agosto.
Nessa ocasião serão divulgados
os subsídios, estratégias, cartazes,
símbolos e conteúdos que serão
trabalhados. A Missão se dará em
quatro etapas: a primeira envolvendo agentes
de pastoral e evangelizadores (Clero, Religiosos,
dirigentes de pastorais, organizações,
colégios, universidades católicas
etc.) a segunda etapa vai atingir grupos prioritários
(Educadores, Catequistas, organizações
profissionais católicas, movimentos
etc.). A terceira é chamada “Missão
setorial” e abrange setores da sociedade
como; políticos, empresários,
comunicadores, e assim por diante. A última
etapa é a Missão territorial,
chegando às paróquias, visita às
famílias, grupos de reflexão
e todos os espaços possíveis. É,
portanto, um programa que vai envolver todos
os cristãos para chegar a todas as pessoas,
até os mais afastados, os indiferentes,
os não crentes, simplesmente todos.
Estrela – E o que vai acontecer com
as atividades que já estamos realizando
nas paróquias e nos movimentos, como
ficam?
Dom
João Bosco – O Projeto de
Evangelização, assim como a Missão
Continental, não pretende mudar aquilo
que já acontece permanentemente. A liturgia,
os sacramentos, os movimentos, tudo vai continuar
como sempre. O Projeto e a Missão vêm
acrescentar conteúdos mais ricos, uma
metodologia mais completa de formação
e aprofundamento da fé, uma estratégia
de ação missionária. É claro
que a catequese, os grupos de jovens, os movimentos,
as famílias, todos serão convidados
a um esforço de renovação
e iluminação novas. Mas – confiando
na força do Espírito Santo e
a intercessão da Mãe Aparecida – temos
certeza que será um grande impulso para
sermos “uma Igreja em estado permanente
de missão”. (DGAE, 200).
Dom
João
Bosco Barbosa de Souza, ofm
Bispo Diocesano de União da Vitória
dombosco@dioceseunivitoria.org.br
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