| 21.07.2008 – Por uma Paróquia
Missionária A
Pastoral Familiar e a Juventude, em nossa Diocese
vão se tornando o eixo transversal da ação
evangelizadora. As prioridades devem fazer das
nossas paróquias centros de irradiação
missionária.
Quando
nossa Diocese escolheu, como prioridades, a Pastoral
Familiar e a Juventude, entendemos que “através
dessas duas ‘janelas’ estaríamos
enxergando toda a ação evangelizadora”.
Essa expressão, eu usei no Estrela Matutina
de dezembro. Era a tradução de uma
proposta do Documento de Aparecida, que foi retomada
pelas novas Diretrizes Gerais da CNBB: “Tamanha é a
importância da Família que deve ser
considerada um dos eixos transversais de toda a
ação evangelizadora” (DGAE,
128).
A ação evangelizadora da Igreja,
objetivo fundamental da nossa missão de
cristãos, tem na família um “eixo
fundamental”. Quer dizer, em todas as pastorais,
nos grupos de estudo e reflexão, nos movimentos,
na Liturgia, na preocupação do pároco,
dos ministros, dos catequistas, em todos os espaços
da Igreja, nas secretarias, nas pregações,
nos confessionários, nos encontros, nos
planejamentos, nas romarias, nas festas do padroeiro,
nos concursos de música, de poesia, nos
santinhos, nas camisetas, nos cartazes, em toda
parte, deve estar a Família como prioridade. “Transversal” quer
dizer: aquilo que atravessa tudo, que está presente
em tudo o que a Igreja faz.
E não é nenhum exagero. É uma
necessidade, em nossos dias, quando assistimos
a uma gigantesca conspiração contra
os valores da família, nos meios de comunicação,
na legislação contrária ao
matrimônio e à vida, que vai sendo
discutida e aprovada pelos nossos governantes,
na mentalidade individualista, materialista,
relativista, imediatista, sem Deus.
Ir para
as ruas
Não basta, porém, cuidar só das
nossas famílias, dos nossos jovens, daqueles
que participam e freqüentam as nossas missas
e celebrações. A destruição
dos valores acontece mais vorazmente entre aqueles
que não mais participam, ou estão
simplesmente fora do nosso espaço eclesial.
Então é preciso ir ao encontro daqueles
que não estão conosco, em todos os
ambientes, em todas as áreas da vida humana
e social, no campo e na cidade. É urgente
sermos de fato missionários em tempo integral,
e não apenas preocupados com algumas ações
missionárias. Essa urgência nos faz
saudar como muito bem-vinda a proposta do Regional
Sul II, que pede às dioceses do Paraná discutir
e promover uma renovação paroquial,
capaz de transformar nossas paróquias em
verdadeiros centros de irradiação
missionária para todos os ambientes. Nossa
Igreja do Paraná propõe que esse
enfoque missionário de renovação
paroquial seja o tema da Assembléia do Povo
de Deus, no próximo mês de setembro.
Renovar
a Paróquia
O Documento de Aparecida se ocupou de modo
especial com a Paróquia, tendo em vista uma discussão
que já vem acontecendo entre os que estudam
a organização pastoral da Igreja.
Muitos afirmam que a estrutura paroquial é arcaica,
e já não atende às necessidades
de hoje, principalmente no meio urbano. Outros
afirmam que a paróquia, bem ou mal, é a única
forma de ligação com a Igreja,
para a maioria dos fiéis, e por isso
deveria ser preservada e melhorada.
O Documento de Aparecida trata a paróquia
como um espaço importante da comunhão
eclesial, mas reconhece que há “estruturas
ultrapassadas, que não favorecem a transmissão
da fé e devem ser abandonadas, em vista
da renovação missionária” (DA
365).
Como forma de renovação da paróquia,
o Documento de Aparecida sugere alguns passos interessantes,
como a “setorização das paróquias
em unidades menores, com equipes de animação,
comunidades de famílias” e leigos
preparados para atender à necessidade de
evangelização e servir àqueles
que vivem situações aflitivas, onde
quer que estejam. A paróquia se descentraliza,
tornando-se uma rede de comunidades. (cf. n.372).
O convite do Regional Sul II vem com a constatação
de que o número de católicos que
participam da celebração dominical é limitado,
e imenso é o número dos distanciados,
como daqueles que não conhecem a Cristo.
Daí a necessidade de a paróquia preparar
leigos para estar em permanente estado de missão.
E renovar suas estruturas para ser um centro irradiador
que leve a luz do evangelho às famílias
afastadas, às escolas, ao mundo do trabalho,
da cultura, da política, do serviço
público, do entretenimento e do lazer e,
sobretudo, aos que sofrem e necessitam de solidariedade
humana e cristã.
Famílias missionárias
A
Assembléia do Povo de Deus acontece nos
dias 19 a 21 de setembro, reunindo Bispos, Coordenadores
da Ação Evangelizadora, Assessores
e Coordenadores das pastorais de todo o Paraná.
Ali são definidas as linhas gerais e destaques
que todas as dioceses paranaenses haverão
de seguir como compromisso de unidade. Para nossa
Diocese de União da Vitória é ocasião
de tomar a caminhada que estamos fazendo, na articulação
de nossas prioridades, e juntar com esse propósito
de renovação paroquial marcadamente
missionário. Troque idéias com o
seu grupo, com os membros da sua pastoral, com
o seu pároco. Coloque a pergunta no seu
Conselho, provoque o seu grupo de jovens, seus
colegas de escola: como fazer de nossas paróquias
e comunidades um espaço de celebração
e experiência de Cristo, de formação
doutrinal e educação da fé ,
casa e escola de comunhão, e formar famílias
missionárias, preparadas para o diálogo
com o mundo? Não vamos nos contentar em
jogar “na retranca”, isto é proteger
as famílias que já pertencem a Cristo,
mas partamos decididamente “ao ataque”,
no sentido missionário, de trazer os que
estão afastados para o coração
de Cristo.
Dom
João
Bosco Barbosa de Souza, ofm
Bispo Diocesano de União da Vitória
dombosco@dioceseunivitoria.org.br
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