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14.10.2008 - Conversão Pastoral

Foi este o assunto da Reunião do Clero: os padres e diáconos de toda a Diocese de União da Vitória tomaram conhecimento das propostas da Assembléia do Povo de Deus do Regional Sul 2, onde foi escolhida para todo o Estado do Paraná uma única prioridade: a renovação paroquial. Isto significa reconhecer que as nossas paróquias estão precisando de uma reforma, não no seu prédio, mas na sua estrutura, nas suas atividades, na sua construção espiritual. Essa busca de uma nova fisionomia da Igreja, o Documento de Aparecida chamou de “Conversão Pastoral”. Como acontece para um cristão individualmente, toda a conversão começa por um bom exame de consciência. Começa por reconhecer-se pecador e deixar-se tocar por Deus. O primeiro grande entrave para uma conversão é achar que está tudo bem, que nada pode ser melhorado. E até os defeitos que a gente encontra, ah!, isso não tem jeito mesmo, sempre foi assim... e por aí vão as justificativas. No caso da Conversão Pastoral, é preciso fazer também algumas perguntas um pouco doloridas: o que há em nossas paróquias que precisa de conversão? Quem é que precisa de conversão pastoral? Os movimentos? As lideranças? Os cristãos afastados? Os leigos? Os mal-humorados? Os Padres? O Bispo? A resposta é sim, todos precisamos de conversão sincera, para que as nossas paróquias se renovem na graça desse sopro do Espírito Santo como vem acontecendo na Igreja toda.

Para haver uma conversão pastoral, não basta consertar,  aqui e ali, alguma falha pontual. A grande transformação é na consciência da gente. Fui reler a primeira página do Estrela Matutina desde junho do ano passado, quando começamos a refletir sobre algumas expressões marcantes do Documento de Aparecida. Dá para acompanhar pelos títulos: “Discípulos e Missionários”, depois “Para que todos tenham Vida”, “Pão e Palavra”, “Uma Forte Comoção”, “Casa e Escola de Comunhão”. Neste ano, começamos com “O Evangelho da Vida”, “Missão Continental”, “Por uma Paróquia Missionária” e, por fim, “Famílias em Missão”. Esses títulos, inspirados no Documento de Aparecida,  mostram, primeiro para mim mesmo, um caminho percorrido de transformação da consciência. Espero que para o leitor também tenha sido. Mas ainda é muito pouco para enfrentar os desafios que aí vêm.

É à luz dessas motivações que devemos fazer esse grande exame de consciência paroquial. E é para isso que a Assembléia do nosso Regional paranaense nos oferece, além de uma prioridade bem definida, também alguns meios para chegar a essa nova consciência. Como renovar as paróquias? Como torná-las mais missionárias? É tarefa de quem? Por onde começar?

São cinco os caminhos, apontados na Assembléia do Povo de Deus para todo o Regional Sul 2

- A conversão pastoral - Conhecer os documentos. Estudar o Documento de Aparecida, as Diretrizes Gerais, subsídios, Revistas e jornais católicos, sites e programas nas nossas TVs, fazer ressoar esse exame de consciência nas homilias, nas reuniões de grupos, na catequese, nos grupos de reflexão, nos boletins e murais paroquiais. Cada pastoral ou movimento deverá se perguntar: onde é que nós entramos nessa renovação paroquial? Como podemos ser mais missionários? Como ser discípulos, apaixonados por Jesus Cristo a ponto de atrair os que estão afastados, os que necessitam da graça, os que não o conhecem?

- Ação missionária – Uma paróquia missionária não se contenta em acolher bem aqueles que a procuram. Uma comunidade acolhedora é um bom começo. Mas é preciso chegar àqueles que não procuram a Igreja. Para isso será necessário organizar visitas nas casas, ir aonde se acham os jovens se reúnem, marcar presença nas escolas, nas associações, nos meios de comunicação, até chegarmos ao “estado permanente de missão”.

- Atuação dos Conselhos Paroquiais de Pastoral – É preciso valorizar, ou mesmo renovar a ação dos Conselhos Paroquiais de Pastoral. Em algumas comunidades o CPP não expressa a comunhão eclesial. Não têm regularidade de reuniões, ou até nem existe. Em algumas, só a CAF é que toma decisões, em vez de estar, como deve ser, a serviço da Ação Evangelizadora coordenada pelo CPP. São estruturas que, como diz o documento de Aparecida, “já não favorecem a transmissão da fé” (DA 365) , mas quando bem orientadas são instrumentos preciosos de renovação da vida paroquial.

- Pequenas comunidades eclesiais – O Documento de Aparecida e as Diretrizes Gerais falam muito em reestruturar a paróquia multiplicando as pequenas comunidades intra-paroquiais “com equipes próprias de animação e coordenação” (DA, 372). Seriam os nossos grupos de reflexão? CEBs? Capelinhas? Que novos ministérios e encargos deveremos ter? É certo que nas pequenas comunidades se torna mais fácil conhecer uns aos outros, ligar a Palavra e a vida, chegar aos necessitados e afastados com espírito de acolhida missionária.

- Formação permanente de lideranças – Este quinto ponto deveria estar em primeiro. Porque sem formação é impossível caminhar. Há aqui um dilema, me disse um agente de pastoral: “Formação todos querem, mas ninguém aparece”. É um fato. Mas devemos encontrar uma forma de superar esse dilema. As lideranças comunitárias não devem se perpetuar nas funções. Também não se pode renovar lideranças “empurrando as pessoas na água para aprender a nadar”. Só um programa persistente de formação, atualizado e criterioso pode renovar a comunidade paroquial tornando-a missionária.

Você deverá ter notado, leitor, quantas interrogações. As respostas – assim esperamos – virão pelo sopro do Espírito. Virão com o novo Projeto Nacional de Evangelização, com a concretização da Missão Continental, com a nossa progressiva “conversão pastoral”. Deixo mais uma pergunta para pensarmos até o próximo “Estrela”. Temos duas prioridades diocesanas, Família e Juventude. Como é que elas se encontram dentro da prioridade regional da Renovação Missionária das Paróquias? Até a próxima, meus irmãos.

Dom João Bosco Barbosa de Souza, ofm
Bispo Diocesano de União da Vitória
dombosco@dioceseunivitoria.org.br

 
 

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