20.12.2008 - De CPP a CPAE
Antes que o leitor chame este título de “sopa de letrinhas”, vamos explicar. Toda paróquia tem um Conselho, formado por Pároco e um grupo de leigos, um órgão consultivo e deliberativo que auxilia o pároco em sua função de pastor, espelhado em Cristo Bom Pastor. O nosso Estatuto Diocesano chama o Conselho Paroquial de Pastoral, o CPP, de “cérebro e alma da paróquia” e também “instrumento indispensável da pastoral renovada” (cap VI, 18.21). Este nome, CPP, vigora a quase trinta anos, desde a aprovação do Estatuto. Aos poucos as Dioceses passaram a designar esse importante colegiado como Conselho Paroquial da Ação Evangelizadora, CPAE. Assim está mais de acordo com os documentos da CNBB e exprime uma nova mentalidade, contida nas duas novas palavras: “ação” e “evangelho”. O recado que vem junto com o novo nome é este: vamos temperar as nossas paróquias com uma dose maior de ação, e tornar mais central a Palavra, o Evangelho. Uma paróquia que parte para a ação missionária, de Bíblia na mão, eis a imagem sugerida por esse novo nome.
É só questão de nome?
Vamos mudar então o nosso Estatuto, e passar a chamar este conselho de CPAE. Mas não basta mudar de nome, se não houver uma renovação de conteúdo. A importância do Conselho paroquial da Ação Evangelizadora foi reconhecida na Assembléia do Povo de Deus, por todos os Bispos do Paraná e pelos coordenadores diocesanos, reunidos em setembro passado. Tarefa assumida por todos: renovar os CPAEs, dar-lhes uma nova dinâmica, torná-los de fato um centro de irradiação e animação das atividades e grande responsável pela renovação missionária das Paróquias. O momento é bem oportuno para refletirmos sobre esse assunto por várias razões. Primeiro porque há um apelo forte e claro da Igreja – expresso no Documento de Aparecida e nas Diretrizes da CNBB – no sentido de buscar essa renovação missionária. Depois, porque a igreja do Paraná apontou esse caminho, da atuação mais forte dos CPAEs, como forma de renovar as paróquias. E ainda porque o nosso Clero, reunido em novembro, depois de estudar cada capítulo das Diretrizes está empenhado na renovação paroquial e comprometido em empreender o caminho da missão permanente, contando com uma forte atuação dos conselhos.
Em fevereiro, a reunião dos CPAEs
Está marcado no Calendário Diocesano um encontro de representantes dos CPAEs, para o dia 28 de fevereiro, na Casa de Formação Cristã, em União da Vitória. Foi numa dessas reuniões que escolhemos nossas prioridades da Família e da Juventude, que vêm frutificando na maioria de nossas comunidades paroquiais. Teremos ocasião agora de avançar e dar passos mais decisivos. Quero recomendar aos párocos e aos seus conselhos, que tomem com atenção o questionário que está sendo proposto pelo Conselho Diocesano (está na pg xxx). São perguntas simples, que nos ajudarão a obter mais e melhores frutos em nossa caminhada pastoral. Aos nossos leitores que não são membros dos conselhos, mas fazem parte dessa grande comunidade ministerial e missionária que queremos ser, quem sabe essas mesmas perguntas se tornem pistas de renovação para suas comunidades e sua vida cristã.
Os melhores planos, numerosas reuniões, estratégias bem pensadas, idéias retumbantes, nada disso garante o crescimento do Reino de Deus, mas sim a sua graça e força da Palavra divina. Vamos fazer planejamentos, pois isso faz parte do nosso agir terreno, mas de olho no céu, pedindo, como no hino do Advento, que “as nuvens chovam o Justo que esperamos”. Feliz tempo de espera pela vinda do Salvador!
Dom
João
Bosco Barbosa de Souza, ofm
Bispo Diocesano de União da Vitória
dombosco@dioceseunivitoria.org.br
PARA OS CPAEs:
PREPARANDO A ASSEMBLÉIA DIOCESANA
No dia 28 de fevereiro, na Casa de Formação acontece a nossa Assembléia Diocesana, com a participação dos párocos, vigários paroquiais, diáconos, coordenadores diocesanos das pastorais e cinco membros do CPAE de cada paróquia. Como temos até lá o período das Festas e muitos fazem férias, antecipamos alguns pontos para serem preparados pelos participantes, para que a Assembléia seja mais frutuosa.
1) O CPAE promova, com o Pároco, um estudo das Diretrizes (CNBB doc 87), conforme foi feito pelo Clero nos setores.
2) Ter presente que as 18 dioceses do Regional Sul 2 escolheram como prioridade a RENOVAÇÃO PAROQUIAL, e propõem como caminhos:
> A Conversão Pastoral > A Ação Missionária > A atuação dos CPAEs
> As pequenas comunidades Eclesiais > A formação de lideranças
3) Não se trata bem de um questionário, mas um conjunto de temas para refletir e sugerir propostas. As respostas deste estudo deverão ser entregues pelos párocos ao Conselho Diocesano de Ação Evangelizadora, até 16 de fevereiro, início do Retiro do Clero.
RESPONDER EM CONJUNTO AS QUESTÕES:
- De que forma nossas paróquias podem envolver as lideranças leigas num processo de verdadeira conversão pastoral? Que obstáculos devem ser superados? Que recursos, métodos, estratégias, pessoas, programas e meios podem ser mobilizados para levar a todos essa nova atitude de discípulos-missionários, apaixonados por Jesus Cristo e pelo Evangelho?
- Ações missionárias - Não basta acolher bem os que procuram a Igreja. Que ações práticas sugere para que a Igreja chegue até os que não a procuram? Que iniciativas bem sucedidas você conhece, nesse sentido? De que forma organizar visitas às casas, numa missão permanente? O que fazer para estar presentes nas escolas, nas famílias, nos meios de comunicação, nos prédios, junto aos mais necessitados? Que ações missionárias podemos empreender para chegar aos jovens e às famílias, nossas prioridades diocesanas?
- Os Conselhos Paroquiais – O CPAE é representativo dos diversos segmentos da comunidade paroquial? O CPAE está, de fato, em comunhão com o pároco nas decisões pastorais ou deixa que ele resolva sozinho? O CPAE e a CAF cumprem cada qual o seu papel convenientemente? Que sugestões apresenta para que o CPAE seja “a alma da Paróquia”, como pede o Estatuto? Que tarefas o conselho deve assumir para concretizar a renovação da paróquia?
- Pequenas Comunidades Eclesiais – De que forma podemos reestruturar a paróquia em unidades territoriais menores, trabalhando “em rede”, como sugerem as Diretrizes (DGAE, 157)? Que obstáculos devem ser superados? Quais os critérios para esta setorização? Os Movimentos podem ajudar nesta ação? Que perigos evitar? Devemos ter um subsídio para pequenos grupos, para toda a diocese?
- Formação permanente – As paróquias estão em condições de oferecer às lideranças o alimento da Palavra de Deus, de forma que o pão da Palavra possa ser multiplicado nas comunidades? Como valorizar a Liturgia da Palavra e as Celebrações da Palavra para que possam se tornar alimento, tanto quanto o pão eucarístico? Como levar o fiel cristão a um diálogo com Deus através da Palavra lida e entendida? Que iniciativas de formação devem ser realizadas em âmbito diocesano, paroquial ou nos pequenos grupos?
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