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20.01.2009 - INSEGURANÇA PÚBLICA

“A Paz é fruto da Justiça”, diz o lema da campanha da Fraternidade de 2009, um convite a nos debruçarmos sobre o importante e difícil tema da “Fraternidade e a Segurança Pública”. A Igreja se prepara para a celebração da Páscoa, o maior acontecimento da vida cristã e o centro, a razão e a meta de toda a história da humanidade. A quaresma é o tempo litúrgico que nos coloca em atenção, diante dessa meta gloriosa, sabendo que, para ressuscitarmos com Cristo, devemos percorrer com ele pela cruz.  No Brasil, há mais de 40 anos, a cruz de Cristo tem um rosto especial, expresso em um tema, literalmente “crucial” da vida humana e social. Ressuscitar com com Cristo é transformar, com ele, a morte em vida. Neste ano, transformar a insegurança pública em que vive a sociedade humana em segurança verdadeira, fundamentada em atitudes de paz, de justiça e fraternidade.

Segurança Pública é dever do Estado

É complicado para nós, pouco instruídos nessas questões de políticas públicas, entender de leis, estatísticas sobre violência, as razões que alimentam a criminalidade, e mais ainda encontrar soluções para os grandes e pequenos conflitos que vivemos e presenciamos, desde o conflito familiar e de vizinhança, até as guerras de traficantes e entre países. Todo esse mundo parece alheio a nós, pacíficos cristãos frequentadores da Igreja, mesmo que a qualquer momento uma dessas tragédias possa bater à nossa porta. É dever do Estado zelar pela segurança dos cidadãos. Não vai ser então a Igreja que vai nos ensinar segurança pública.

De fato, a Igreja não quer ensinar receitas. Quer nos fazer refletir. É típico da Campanha da Fraternidade não ser restrita apenas aos que frequentam a Igreja, mas ser um serviço à sociedade, chamando a atenção de todos para uma questão séria, que atinge a todos, e que pede de todos, autoridades, pessoas de influência, educadores, cidadãos todos, uma posição, clara e corajosa, em favor da justiça e da paz que tanto pedimos na oração e tão pouco por ela fazemos.

É, portanto, dever religioso de todos

No ano passado, o tema foi “Escolher da Vida”, baseado em Dt, 30, 19. O tema de 2009 é decorrente daquele, tirado do profeta Isaías onde se lê: “O fruto da Justiça será a paz! A prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras” (Is 32, 17). É, portanto, uma promessa divina, mas ao mesmo tempo um dever de casa que todos devemos levar a sério, como preparação da grande ressurreição do mundo em Cristo, que sonhamos. O tempo da quaresma então será de grande riqueza espiritual e terá frutos se tomarmos como nossas essas tarefas:

1. Cada pároco, cada comunidade paroquial, tendo à mão o texto proposto pela CF, estude a proposta. Convide as autoridades, os profissionais, os mestres, os conselhos, os agentes de pastoral,  para um fórum sobre a questão da Segurança Pública. Defina atividades e escolha uma data apropriada para a celebração de lançamento da Campanha.

2. Mais do que as estatísticas nacionais e internacionais da violência e da insegurança, procurem focar a situação local, as raízes dos conflitos, as situações de risco, as causas camufladas e as origens escondidas dos medos e das injustiças que estão ao nosso redor.

3. As pastorais, os movimentos, os grupos de jovens, de casais, catequese e outros, se perguntem como pode o nosso grupo participar desse objetivo. Como envolver também os não participantes da Igreja e também as outras religiões nesse assunto que é de todos?

4. Os grupos de Liturgia, canto pastoral e grupos de reflexão procurem conhecer o material litúrgico da Campanha, multiplicando o material para as capelas e comunidades.

5. Os meios de comunicação disponíveis – boletins, programas de rádio, murais podem ajudar a divulgar a Campanha. Faixas e cartazes em lugares estratégicos darão visibilidade às ações programadas.
6. O gesto concreto – a coleta do domingo de Ramos, 05 de abril – deve ser motivado em todos os grupos, comunidades e capelas, como fruto do jejum quaresmal.

Não há quaresma sem verdadeiro espírito de conversão. E a conversão quaresmal não deve ficar só na Campanha da Fraternidade, nem só na coleta, ainda que seja esta uma boa causa. A CF tem a função de motivar, concretizar, desafiar a nossa vida cristã para que ela seja transformadora em todos os níveis, levando o cristão à completa identidade com o caminho de Cristo. A segurança, a paz e a justiça não acontecem pela aplicação de leis, métodos e estratégias, nem pela instalação de sistemas de monitoramento, alarmes e cadeados e carros blindados. Acontecem pela união das vontades motivadas pelo amor, pela comunhão e pela fé, e é esta a segurança pública que queremos.

 

Dom João Bosco Barbosa de Souza, ofm
Bispo Diocesano de União da Vitória
dombosco@dioceseunivitoria.org.br

 

 

 
 

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