Nossa Diocese realiza mais uma Assembléia Diocesana no dia 28 de fevereiro. Reunidos na Casa de Formação, representantes dos Conselhos Paroquiais da Ação Evangelizadora, clero, comissões paroquiais, coordenações diocesanas das pastorais e movimentos, buscam escutar uns aos outros, aguçar os ouvidos e afinar os instrumentos como faz uma orquestra antes de um grande concerto. Atentos às exigências do tempo presente, aos apelos da Igreja e de olho na realidade de nossas paróquias e comunidades, compartilham experiências, escolhem caminhos, crescem juntos em Cristo.
Em busca da unidade da pastoral diocesana
“Um projeto comum a todas as paróquias”, será que isso é viável? Somos 25 paróquias, mais de quatrocentas comunidades espalhadas pelo território da diocese. São realidades diferentes, centros urbanos são diferentes das periferias das cidades, e ambos muito diferentes das áreas rurais. Em algumas, há lideranças bem formadas, leigos qualificados, noutras são sempre os mesmos pra tudo. Algumas paróquias têm movimentos e pastorais em abundância, fazem festas grandiosas, outras experimentam a carência de iniciativas e de eventos, faltam recursos e meios pra realizar as tarefas básicas. E os padres, então, cada um tem suas qualidades e suas dificuldades, têm suas preferências pastorais, deixam outras de lado, quase sempre não lhes sobra tempo pra nada. Sendo assim, como pensar num projeto comum a todos?
Simples: somos uma família. Como em todas as famílias, há diferenças. Quando existe amor, ele se expressa no cuidado de uns pelos outros, há aspirações comuns, deixa-se de lado o plano pessoal para fazer valer o que é bom para todos.
No retiro do Clero, o pregador Dom Albano Cavallin, Arcebispo Emérito de Londrina, chamou alguns padres e pediu-lhes para movimentar uma mesa, cada um puxando pro seu lado. Depois chamou uns diáconos, para ajudar, novamente cada um puxou pro seu lado, e a mesa não saiu do lugar. Por fim, Dom Albano disse: vamos todos levar a mesa para o mesmo lado. Pronto, foi fácil. Os padres não precisaram de maior explicação.
Vamos construir nossa unidade
As Assembléias Diocesanas que acompanhei, nos últimos dois anos, vêm apontando o caminho dessa unidade. Retomamos como prioridades a Família e a Juventude. Muitas iniciativas foram tomadas nesta ou naquela paróquia para contemplar estas prioridades. Agora é a vez de trocar experiências quanto a essas iniciativas. Estabelecer meios e metas para que essas iniciativas boas “contaminem” as outras paróquias e se irradiem.
As fontes dessa unidade, ninguém pode desconhecer. Quais são?
1. A Bíblia – Sem uma Pastoral Bíblica forte e bem organizada nas paróquias, ninguém saberá para que lado ir, e por quê. Temos que conhecer a Bíblia, respirar a Bíblia, orar a Bíblia, até tê-la toda no coração. E então fazê-la brotar em nossas ações.
2. O Documento de Aparecida – É a bíblia latino-americana desta década. Um grande dom de Deus que a Igreja recebeu, para unir toda a América Latina numa só caminhada. Ali encontramos o rosto novo da Igreja, uma visão alegre, mas muito realista da missão que temos pela frente, como discípulos-missionários do Reino.
3. As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora – Documento da CNBB que traz as orientações de Aparecida para realidade do Brasil. Foi estudado no ano passado pelo Clero, agora é a vez de os leigos o conhecerem.
4. As conclusões da Assembléia do Povo de Deus – Documento do Regional Sul 2 que definiu para todo o Paraná o objetivo “Renovar a Paróquia” e sugeriu alguns meios para isso.
5. O projeto “O Brasil na Missão Continental” – Não se trata de um só documento, mas sim de uma série de subsídios que estão sendo oferecidos pela CNBB para envolver as comunidades na reflexão, na oração e na ação, à luz do Documento de Aparecida e das Diretrizes.
Não será um exagero de papel?
Essas “fontes da unidade diocesana” estão aí citadas pra dizer que não estamos inventando um caminho. Estamos num momento privilegiado da Igreja, onde a abundância de motivações não nos deve deixar atordoados, mas sim confiantes de que é o Senhor, vivo e ressuscitado que nos está a chamar para uma missão urgente e fecunda.
Cada um fazendo bem o seu papel, todos poderão participar dessa grande renovação da vida cristã. E que papéis são esses, vou citar alguns desses papéis:
- Os Conselhos – Cada paróquia tenha o seu Conselho Paroquial da Ação Evangelizadora, renovado e atuante. Ele é o cérebro e a alma da Paróquia. Sempre em comunhão com o pároco, deve conhecer as linhas de ação propostas pela Assembléia e trazer para a realidade paroquial.
- As Pastorais – são os grupos que prestam serviços como a formação para os sacramentos, o serviço da caridade, o atendimento às diversas faixas etárias, crianças, jovens, casais, idosos. Cada pastoral deve se perguntar como vai colocar em prática o que foi definido na Assembléia. Procurem estar em comunhão com as coordenações diocesanas, regionais e com toda a Igreja.
- Os Movimentos – Com sua identidade própria, são uma escola de vida cristã que oferece formação e motivação ao apostolado. Devem conquistar a todos os paroquianos com suas propostas de vida e oração. Mas estejam atentos também a responder ao que a Diocese lhes pede hoje.
- As Comissões – Atenção para esse segmento novo e importante: São grupos encarregados de animar todos os outros chamando a atenção para os “eixos transversais” da evangelização (aquilo que atinge a todos os grupos). As comissões devem estar presentes junto aos conselhos, as pastorais e os movimentos. Cada paróquia deverá ter a sua Comissão Missionária, encarregada de fazer chegar a evangelização a todos os ambientes, setores da paróquia, lares, escolas, serviço público, fomentando ações missionárias. Também não pode faltar em cada paróquia a Comissão de Vida e Família, que inclui a juventude. Sua função junto a todos os outros, é fazer acontecer as nossas prioridades. A Comissão de Liturgia, diferente das equipes de celebração, esta comissão deve estar antenada e sintonizada com a caminhada da Igreja e trazer para a Liturgia das comunidades os subsídios, orientações e a formação litúrgica para as equipes de celebração. A Comissão de Administração e Finanças também está neste segmento. Ela deve dar suporte à ação evangelizadora, sobretudo através da pastoral do Dizimo. As festas e promoções devem ser ocasiões de evangelização e congraçamento, antes de ser fonte de sustento da comunidade.
- Os padres, os diáconos, as irmãs, os religiosos, os ministros – Deixei por ultimo por que seu papel é decisivo. São os grandes animadores de toda a ação evangelizadora. Não podem fazer nada sozinhos. Não se pode fazer nada sem eles. Eles têm, naturalmente, mais acesso às fontes. O pároco, sobretudo, é um sinal de unidade. Não é só um celebrador de missas. Tem que reunir, coordenar, motivar, ensinar; deve ter tempo para confissões, para as bênçãos das casas. Tem que ”ir aonde o povo está”. E ainda arranjar tempo pra ler, rezar, estudar documentos, participar das atividades diocesanas. Em geral está sobrecarregado. E também tem suas limitações pessoais, como todos. Somente quando os conselhos, comissões e coordenações funcionam como devem, é que dá tempo pra tudo.
Vamos tomar os caminhos apontados pela Assembléia. Vamos juntos, encontrar o dom precioso da unidade pastoral diocesana. Eu citei lá no começo que deveríamos ser afinados como uma orquestra. Mostrei as partituras e os diversos grupos de instrumentistas. Faltou falar do Maestro. Sem ele não há harmonia. É assim que lemos em São Paulo Apóstolo, na carta aos Efésios: “É dele (de Cristo) que o corpo todo recebe coesão e harmonia, mediante toda sorte de articulações e, assim, realiza o seu crescimento, construindo-se no amor, graças à atuação devida de cada membro”. (Ef 4,16)
Dom
João
Bosco Barbosa de Souza, ofm
Bispo Diocesano de União da Vitória
dombosco@dioceseunivitoria.org.br