Segundo o Livro dos Atos dos Apóstolos, a primeira comunidade dos cristãos, tinha “um só coração e uma só alma” (At 4,32). E sob esse lema aconteceu a VIII Assembléia Diocesana, dia 28 de fevereiro último, na Casa de Formação Cristã Santa Rosa de Lima, em União da Vitória, buscando claramente o objetivo da unidade pastoral. O texto de iluminação usado pelos participantes da Assembléia foi publicado no último Estrela Matutina, e serviu como ponto de apoio aos participantes que, em grupos, buscaram formular um projeto comum a todas as paróquias”.
O resultado da Assembléia, levado pelos participantes para ser colocado em prática nas paróquias e comunidades, neste ano pastoral, não chega a ser um Plano de Pastoral completo. Mas resume em alguns pontos principais o anseio dos participantes, e esses pontos devem ser agora trabalhados pelas comunidades paroquiais que lhes darão corpo e detalhamento.
Um corpo com pés, coração e cabeça
Para que haja unidade na pastoral diocesana, não basta que tenhamos alguns pontos votados e acertados em comum. É necessário que cresça em nós a percepção de que somos uma Igreja, nos pertencemos uns aos outros, que precisamos cuidar uns dos outros e nutrir uns aos outros como um corpo. “Ninguém despreza o seu próprio corpo, é o argumento do Apóstolo Paulo, mas sim o nutre e cuida” (Ef 5,29). É com esse espírito que deveremos tomar cada um dos pontos escolhidos pela Assembléia como caminhos, e assim os colocar em prática nas comunidades paroquiais. Gostaria de sugerir à nossa Igreja diocesana que acolhesse as propostas da VIII Assembléia “com os pés, com o coração e com a cabeça”, e explico por quê.
“Com os pés” - Os pés são o símbolo do missionário. Temos que nos colocar “na estrada”, “na rua”. Confira nos Atos dos Apóstolos, como era a vida dos primeiros cristãos. Iam de casa em casa, de encontro em encontro. Nós também precisamos gastar sola de sapato e pneus, do carro ou do trator. Não basta esperar que as pessoas venham onde nós estamos, a Igreja nos pede que saiamos ao encontro dos irmãos, onde estiverem, e que estejamos dispostos a partilhar com eles a nossa vida e a nossa fé. O cristão missionário tem que sair de casa e visitar outros cristãos. Os casais, os jovens, o Movimento eclesial tem que ir atrás daqueles que precisam de sua espiritualidade. As pastorais (como o pastor) devem sair ao encontro das ovelhas mais distantes. Acolher com os pés quer dizer “com os pés no chão”, de forma realista. Reconhecer que muitos cristãos estão acomodados, com sua missa semanal, ou nem isso. Reconhecer que ainda não praticamos a partilha da nossa vida, de nosso tempo, de nossos bens, de nossos conhecimentos e que, por omissão nossa, muitos não vão até Cristo, ou se perdem no caminho. Sem ações missionárias bem planejadas e abraçadas por todos, não caminha a Igreja.
“Com o coração” – Jovens apaixonados desenham os seus nomes dentro de um coração, se pertencem. Cristãos amam com o coração de Cristo, e por isso vivem uma grande experiência de comunhão. Acolher a proposta da Igreja “com o coração” quer dizer colocar nosso afeto naquilo que realizamos. Quem coloca afeto no que faz, não se contenta em fazer o mínimo, mas procura o máximo. Nosso amor à Igreja não pode achar normal que haja divisões, intrigas ou exclusões em nossas comunidades, nos movimentos, divergências insanáveis, críticas amargas e até inimizades. Que experiência de comunhão eclesial têm aqueles que não admitem nem mesmo partilhar com os irmãos o dízimo fraterno? Ou uma comunidade que se nega a partilhar as despesas da matriz? Ou a CAF que não contribui corretamente o sustento da atividade diocesana? Se não partilhamos corretamente o dízimo, que é o mínimo, como podemos chegar ao máximo que é amar de todo coração? Melhorar a nossa organização paroquial, conselhos e comissões paroquiais afinadas com o objetivo comum, o serviço prestado com amor e generosidade, é esse o coração que pulsa na Igreja, na qual a Família e a Juventude são prioridades, pois, todos são “nossa família”.
“Com a cabeça” – Nossa cabeça é Cristo. Desde o nosso batismo somos membros de Cristo que é nossa cabeça e modelo. A nossa inteligência cresce quando acolhemos sua sabedoria, nossa liberdade se amplia quando entregamos a ele nossa vontade própria. Nossa vida se torna iluminada quando colocamos em prática os ensinamentos de nossa Mãe-Igreja. Hoje em dia é moda questionar, divergir, e até criticar a Igreja, sem mesmo conhecer os fundamentos do que ela ensina. Quantos hoje dizem seguir a Cristo, “mas, do seu modo”; aceitam a orientação da Igreja “mas, nem tudo”. Fazem coro com os que criticam a Igreja com arrogância e desprezo, quando ela defende os princípios da Escritura. Acolher “com a cabeça” é buscar a formação mais aprofundada, que nos permita defender a fé, agir em comunhão, testemunhar com clareza nossa adesão a Cristo.
Em resumo, a expressão que foi lema da Assembléia “um só coração e uma só alma” para que se torne verdade no dia-a-dia das nossas comunidades, deve se desdobrar em uma espiritualidade de comunhão, de afeto verdadeiramente familiar e fraterno, de aprendizado humilde na escola do amor de Cristo Senhor.
Se você quer ter esse olhar, veja no quadro abaixo o resumo das propostas da VIII Assembléia e leve-a para refletir com a família, com seu movimento eclesial, nos grupos comunitários, em toda a ação evangelizadora da nossa Diocese.
Dom
João
Bosco Barbosa de Souza, ofm
Bispo Diocesano de União da Vitória
dombosco@dioceseunivitoria.org.br