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03.05.2009 - Conhecer para amar

“Vamos nos voltar todos à catequese!”, dizia um dos padres da nossa diocese quando, na reunião do clero, em General Carneiro, no final de março, dona Regina Helena  Mantovani dirigiu a reflexão sobre o Ano Catequético, que acontece em todo o Brasil. Falou sério, é claro, e um outro colega completou: “É, a CNBB nos convida para um grande trabalho.” E não é brincadeira, pois os nossos padres, apesar de tantas obrigações e trabalhos, acharam excelente a exposição da coordenadora regional da Catequese, e abraçaram a causa: é preciso abrir o coração para o Ano Catequético e envolver em sua programação todas as pastorais e movimentos. A Catequese vai sair do âmbito das crianças e adolescentes da Primeira Comunhão e da Crisma. Estes já fazem um longo trajeto. Hoje temos mais de 2500 catequistas, nas 25 paróquias e mais de 400 comunidades. Esse pequeno exército tem estudado, tem se aperfeiçoado nos métodos novos, novos conteúdos, novo espírito que brotou do grande movimento catequético das últimas décadas, sobretudo da chamada “Catequese Renovada” adotada em todo o Brasil. Veio depois o Diretório Nacional da Catequese, que abriu a Catequese também para adultos. A Escola Catequética Diocesana “Semeadores do Reino” está afinada com todas essas novidades. Mas basta isso?

Ano Catequético, qual o objetivo?

Agora vem o Ano Catequético para dar continuidade, atingir a todos os movimentos e pastorais, acordar uma dimensão essencial da vida cristã que é a de todos serem evangelizadores, como pediu Jesus, e não só alguns encarregados de catequizar e evangelizar. Mas quem está preparado para isso? Se consideramos os pais das crianças que estão na catequese, poucos são os que conhecem as coisas da fé para poder ensinar. Mesmo os mais participantes, acham difícil responder quando alguém lhes pergunta sobre doutrina. A grande riqueza dos estudos Bíblicos, que cresceram tanto nas últimas décadas, não chegou ainda ao dia-a-dia da maioria dos cristãos. E há um número imenso, entre aqueles “estatisticamente” católicos, que pouco conhecem, reclamam quando a Igreja lhes pede pra fazer um encontro de batismo ou de noivos, quem sabe até criticam a Igreja por “ouvir dizer” coisas sem um conhecimento sério. O resultado desse processo de desconhecimento progressivo da fé é que estamos cada vez mais “encolhidos” diante de um mundo sem Deus, que invade os lares e destrói os valores religiosos. A desonestidade e a esperteza imperam na política, nos negócios, e nas relações entre as pessoas quase como se fosse normal. Viver em função do ter e do prazer passou a ser o objetivo de muita gente. Em vista disso, muitos não se preocupam pelas vidas que são destruídas, pelos mais fracos que são excluídos, pelo planeta que se torna inabitável.

E o ano catequético vai resolver tudo isso?

Não é esse o ponto de partida. A fé não é receita pronta para consertar o mundo. O que a fé nos possibilita é viver um encontro de amor com Jesus Cristo, e a partir daí transformar a nós mesmos. E esse é o começo, a ponta do fio da meada. Muitos cristãos, pessoas de boa vontade, mas sem ter tido a chance de cultivar a fé, vivem uma relação com Deus só ocasional, de emergência, ou até de exercícios de piedade, mas bem longe de uma experiência viva da presença de Jesus Ressuscitado em suas vidas. Dª Regina, a coordenadora da Catequese do Regional Sul 2, dizia na Reunião do Clero, onde estavam também as coordenações de catequese: “Há muitos, mesmo entre os cristãos participantes, que não vivem a experiência da convivência com Jesus Ressuscitado...” É claro que todos nós precisamos de uma catequese permanente, sistemática, forte e envolvente, que nos devolva a paixão por Cristo e pelo Evangelho. Que nos faça cristãos maduros e comprometidos, alegres por participar de nossa Igreja, espaço real de encontro com Deus vivo, dispostos a agir na sociedade e no mundo, na pratica da caridade e do testemunho profético.

É de queimar o coração

O Ano Catequético tomou por modelo e símbolo o relato dos discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35), onde Jesus lhes aparece, e sem que eles desconfiem quem é, vai ensinando o que diz a Bíblia e eles vão ficando entusiasmados, até descobrir que é Ele, o Ressuscitado, que lhes parte o pão eucarístico. E depois de descobrir que era Jesus, um deles comenta: “Percebeu como o nosso coração ardia de amor, enquanto ele nos explicava as Escrituras?”. É essa paixão de discípulos que deve tomar conta do nosso coração que já é de Cristo, mas está meio amortecido. Palavra e Pão, Bíblia e Eucaristia, duas pilastras da nossa experiência cristã que devemos reforçar ou mesmo reconstruir.

”Mais um” ano, pra nos motivar

Ano Paulino, Ano Sacerdotal, Ano da Missão Continental e agora o Ano Catequético, não é ano demais? Não se trata de “mais um” importantíssimo assunto que no ano seguinte vai solenemente para o esquecimento? Todas essas motivações são como alavancas pra nos impulsionar para um único e só ele necessário objetivo: colocar-nos frente a frente com Cristo, nosso Mestre, nosso amigo, nosso Deus. O ano catequético é, então, oportunidade de divulgar entre as comunidades o “espírito” e Aparecida, as Diretrizes, a Missão Continental, as propostas da nossa Assembléia Diocesana. E levar a pessoa de Jesus Cristo, sua Palavra e presença para o coração do mundo, para a vida cotidiana, para a cultura do nosso tempo, para a fome e sede de Deus de que padece o mundo. Há uma infinidade de propostas para serem abraçadas pelas paróquias, pelos movimentos, pelas pastorais. Dê uma olhada no quadro abaixo que traz as “Propostas para o Ano Catequético nas comunidades”.

Dom João Bosco Barbosa de Souza, ofm
Bispo Diocesano de União da Vitória
dombosco@dioceseunivitoria.org.br

 
 

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