Início   Diocese   Especiais   Multimídia   Agenda   Notícias   Contato  
 
 
 
 

Palavras do Bispo

Palavras do Papa

Vivendo a Liturgia

Encontro com a Palavra

A Igreja Ucraniana
Artigos
Entrevistas
Links
 
 
| Palavras do Bispo

08.08.2009 – Família Dom de Deus

Em agosto próximo, na semana após o Dia dos Pais, de 9 a 15, acontece em todo o Brasil a Semana Nacional da Família. Nenhuma comunidade paroquial pode deixar de fazer uma boa programação envolvendo os movimentos familiares, escolas, pastorais, liturgia, catequese, grupos bíblicos, enfim todos, em grande mobilização. Devemos sair do espaço da igreja para proclamar nas esquinas, nas vitrines, nas repartições públicas, nos meios de comunicação, nas rodas da juventude, nas consciências: Família é dom precioso de Deus.

Além disso, a Semana Nacional da Família oferece uma ocasião mais que oportuna para que cada comunidade paroquial incentive, redimensione ou mesmo inicie, se for o caso, uma verdadeira e atuante Comissão Paroquial para a Vida e Família, ou simplesmente a Pastoral Familiar da Paróquia. É uma prioridade diocesana, enunciada em nossa Assembléia de 2009. Ficou estabelecido assim: “a) Estudar o Diretório da Pastoral Familiar nos Setores, para a formação de multiplicadores nas Paróquias. b) Estruturar nas Paróquias a Pastoral Familiar, conforme o Diretório”. Estas atividades estão de fato acontecendo, mas a “multiplicação” em algumas paróquias ainda não aconteceu de fato.

E por que precisamos urgentemente da Pastoral Familiar nas Paróquias?  Cada vez mais perdemos os referenciais sobre Vida e Família. Encontramos cada dia mais diversidade de formas de convívio familiar, como filhos criados somente pela mãe ou pelo pai, crianças criadas pelos avós, casais separados, casados de novo, padrastos e madrastas, mal conhecidos ou até odiados, filhos de relações sem amor, casos de brutal solidão.  Apesar do somatório de dores, decepções e desencontros, há quem veja esse cenário como resultado inevitável do progresso, da necessária autonomia, da ruptura com os padrões de comportamento já ultrapassados por uma sociedade mais moderna e aberta.

A mudança dos comportamentos vai sendo incorporada pela legislação em vigor. Na Constituição antiga, a família era aquela fundada no casamento. Só os filhos gerados no casamento eram chamados de legítimos. Na constituição atual não se fala em casamento, mas se chama família a “união estável entre homem e mulher”. Na última versão do Código Civil já se considera como família qualquer união estável entre pessoas que se unem pelo afeto. Foi o que sobrou. Assim a família pode se constituir ou se desfazer ao sabor passageiro do sentimento. Há Projetos de Lei, tramitando no Congresso, que pretendem mudar o texto constitucional eliminando, no conceito de família, a necessidade de ser formada por homem e mulher, e até eliminando o conceito de pai e mãe.

Nas escolas, as conseqüências da desagregação familiar se fazem notar na agressividade, na incapacidade de partilhar um brinquedo, nos choros e medos, na deficiência de aprendizagem. A escola procura desesperadamente trabalhar com os pais a questão familiar. Porém o Estado “laico” proíbe ensinar religião. E como suscitar valores, moralidade,  sem recorrer às religiões?

Nossa defesa da Família como instituição divina, como dom de Deus, não pode contar com a Escola, e cada vez conta menos com as leis do Estado. Isso torna ainda urgente o testemunho convicto de que a Família não pode se basear apenas em laços afetivos que são, por natureza passageiros. Entendemos que a família encontra o seu fundamento na natureza humana, e não nas leis do Estado. Ela é necessária para a vida e a convivência humanas.  Suas características, tal como a diversidade de gêneros (homem e mulher, unidos pelo amor) a solidez das relações (pai é pai hoje, amanhã e sempre), e a responsabilidade pelas gerações (o cuidado das crianças, dos idosos, dos que tem necessidades especiais) não podem ser diluídas. Precisamos fermentar na sociedade um apreço pela família, não pautado pelas exceções, que podem e devem ser respeitadas, mas tendo como horizonte a sua forma natural e completa, lugar privilegiado de acolhida e defesa da vida, do amor do homem e da mulher, dos laços perenes, da inclusão dos mais frágeis, do futuro sadio da grande família humana.

Para nós cristãos a família se completa com a bênção sacramental do matrimônio. O amor familiar que defendemos é bem maior que a afetividade passageira. Amor verdadeiro é aquele que não se detém nem mesmo diante do sacrifício. Essa afirmação está presente na formula do casamento, às vezes entendida pelos noivos somente como expressão romântica: “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”, ou seja na entrega total e irreversível, expressa por Cristo na definição mais completa do amor: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por quem ama”(Jo 15,13). Se perdemos essa dimensão da cruz de Cristo em nossas vidas, pouco podemos fazer diante da avalanche de individualismo, de consumismo, de hedonismo, de laicismo, de atentados à vida, de maus exemplos na mídia, no mundo artístico e esportivo, nos novos comportamentos da juventude, nos crimes de padrastos e madrastas que vão parar nas páginas de noticiário criminal.

A Semana Nacional da Família, neste ano, se une com os objetivos do Ano Catequético e pede que as Famílias sejam “Igrejas domésticas” e “Caminho para o discipulado”. Esse objetivo não é só para ser refletido por uma semana. É um programa permanente para as Comissões Paroquiais de Pastoral Familiar. Esse grupo, assim como a Equipe Litúrgica, a Catequese, a Pastoral da Criança e outras, não pode faltar numa paróquia. Essa Comissão merece do Pároco uma atenção especial. A Pastoral Familiar estará atenta às crianças, na paróquia ou na escola, promovendo o amor à família. Estará também junto aos jovens, cuidando da sua preparação remota para o namoro e o casamento. É à Pastoral Familiar que caberá a formação dos noivos para o Sacramento do Matrimônio. Ela estará atuando junto às famílias que se apresentam para os sacramentos. Reunirá os movimentos familiares, oferecendo a eles a formação específica para atuarem nos campos de trabalho pastoral da comunidade. Ela cuidará de atrair, com muito amor, os casais que vivem juntos, sem o sacramento, os casais em segunda união, as famílias que vivem situações de crise e abandono. Uma Pastoral Familiar Paroquial estará sempre atuante, incentivando o crescimento da espiritualidade familiar, de modo que pais e filhos encontrem no lar o ambiente mais propício para o desenvolvimento da sua vida Cristã.  É isso que se espera de uma prioridade diocesana que quer fazer da Pastoral Familiar um dos “eixos transversais de toda a ação evangelizadora da Igreja” (DA, 435).

 

Dom João Bosco Barbosa de Souza, ofm
Bispo Diocesano de União da Vitória
dombosco@dioceseunivitoria.org.br

 
 

| Multimídia
áudio
vídeo
foto

oraçao

 
   

Mitra da Diocese de União da Vitória
Rua Manoel Estevão, 275 . União da Vitória - PR . Telefone/Fax: (42) 3522 3595

mitra@dioceseunivitoria.org.br . estrela@dioceseunivitoria.org.br