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01.12.2009 - Paixão por anunciar Jesus

Atraídos pela motivação missionária continental, uma Equipe Missionária Diocesana, formada por leigos, religiosos e sacerdotes, iniciou neste mês de novembro um programa de fortalecimento da consciência missionária, que pretende chegar a toda a Diocese. A Paróquia escolhida para iniciar esse projeto foi São Carlos Borromeu, em Paula Freitas. O grupo de missionários foi formado a partir do convite feito pelo Conselho Missionário Diocesano (COMIDI), e a coordenação das Irmãs Mensageiras do Amor Divino. No grupo de 36 missionários havia religiosos, seminaristas e leigos, entre eles, especialmente os alunos da Escola Teológica e Pastoral João XXIII, que é o nosso Curso de Teologia para Leigos. Os padres e diáconos também participaram e garantiram às 15 comunidades da Paróquia a Celebração Eucarística, centro e força de toda a missão. Nos mesmos dias de missão a Paróquia recebeu a Visita Pastoral do Bispo Diocesano, completando assim, de maneira muito oportuna, o trabalho missionário.

Alegria dos discípulos missionários

A apreensão diante de um trabalho novo e desafiador era visível nos olhos da equipe missionária. Pareciam lembrar a incerteza do Apóstolo Tomé: “Como vamos saber o caminho?” (Jo 14,5). Bem diferente foi a alegria da volta dos missionários, depois de visitar casa por casa, depois de reunir as comunidades, depois de comunicar Jesus Cristo de todas as formas. Voltaram contando muitas belas histórias de encontros e testemunhos. “Eu fui para ensinar, e aprendi muito mais”, dizia animadamente uma missionária jovem. Podiam encarnar o tom de gratidão e alegria que abre o Documento de Aparecida: “Conhecer Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-lo é uma graça, e transmitir esse tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor nos confiou, ao nos chamar e nos escolher” (DA, 18). Como sinal positivo da acolhida da comunidade, de imediato se apresentaram oito novos missionários, das comunidades de Paula Freitas, dispostos a se preparar e integrar a Equipe Diocesana. Já está agendada a próxima etapa, que será na Paróquia de São Sebastião Mártir, em União da Vitória. No ano que vem, outras paróquias serão escolhidas, até alcançarmos toda a diocese.

A consciência puxa a ação

A ação missionária não surge do nada. Ela é fruto de uma consciência que vai crescendo, na medida em que uma comunidade se abre ao chamado do Espírito Santo. Sem risco de exagero, pode-se dizer que a consciência missionária é o traço mais decisivo e importante da nova roupagem da Igreja, nesta etapa, desde o Vaticano II. E essa transformação na ação evangelizadora da Igreja teve em Aparecida, em maio de 2007 o seu impulso mais nítido e generoso, lançando para todo o Continente Latino-Americano o desafio da Missão Continental. Desde então vimos buscando por onde começar. E começamos pelo estudo dos documentos de Aparecida e as Diretrizes da CNBB, entre os padres, os conselhos das paróquias e lideranças dos movimentos. Nossa Assembléia Diocesana apontou caminhos e adotou o objetivo geral de todo o Paraná, de renovar as paróquias tornando-as mais missionárias. Algumas têm começado a dar alguns passos na linha missionária, com sua própria gente, com muita alegria e sucesso. Outras convidaram equipes missionárias procedentes das Congregações Religiosas. Outras estão ainda perguntando, como o Apóstolo Tomé, por onde é o caminho. É para dar esse empurrão inicial que a Equipe Missionária Diocesana começou o atual programa. Mas todos os caminhos são válidos e se somam no objetivo maior de responder evangelicamente às necessidades do nosso tempo, segundo o impulso do Espírito.

Comunhão e Missão

Os missionários são provenientes de diversas paróquias, dos quatro cantos da Diocese. Seu testemunho, formando duplas (muitos não se conheciam antes da preparação) e visitando as casas é, por si só, uma expressão da comunhão diocesana. Embora distantes na vida quotidiana, eles todos pertencem a uma comunidade paroquial e agem em nome dela. Não é o missionário que evangeliza, e sim a Igreja. E não poderia ser diferente, pois a Igreja é essencialmente comunidade, comunhão de amor. “Esta é sua essência através da qual é chamada a ser reconhecida como seguidora de Cristo e servidora da humanidade” (DA, 161). Ao passar visitando as casas, dois a dois, reunindo o povo, os missionários não só chamam para a Igreja os que estão afastados da comunhão, para aproximá-los do corpo de Cristo, mas também reforçam naqueles que já estão em comunhão o desejo de levá-la a outros irmãos. “A comunhão e a missão estão profundamente ligadas entre si” dizia o Papa João Paulo II, na exortação sobre o papel Leigos na Igreja (ChL,32). O testemunho de unidade com a Igreja diocesana é missionário por si, e se soma com as palavras que o missionário diz. E assim toda a missão serve para construir comunhão.

Diocese toda missionária

Em cada paróquia onde os missionários passarem, irão agregando outros missionários para a Equipe Diocesana. Por certo, haverá também frutos positivos da missão para as suas comunidades, pois estarão voltando para lá acrescidos do espírito missionário praticado na missão. Esse é um benefício adicional por termos escolhido essa forma de abraçar as missões internamente.  Chegaremos a passar por todas as 25 paróquias? Daremos duas, três, cinco voltas, quantas forem necessárias? Nosso desejo é que, no futuro não haja mais um grupo de missionários, nem que se multipliquem muitos grupos. O objetivo a alcançar é que tenhamos uma igreja toda ela missionária, uma igreja em estado permanente de missão. Uma igreja capaz de descobrir –  como lemos no Documento de Aparecida –  e “integrar os talentos escondidos e silenciosos com os quais o Espírito presenteia os fiéis, colocando esses dons a serviço de todos” (DA, 162). Mas isso, se cada um fizer a sua parte, ouvindo o Senhor chamar: “Venha, você também, trabalhar na minha vinha”. (Mt 20,4).

 

 

Dom João Bosco Barbosa de Souza, ofm
Bispo Diocesano de União da Vitória
dombosco@dioceseunivitoria.org.br

 
 

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