“Ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com
Jesus Cristo e convidando-as para seu seguimento, ou não cumpriremos
nossa missão evangelizadora.” (DA, 287)
Em outubro do ano passado, a minha página mensal do Estrela, tinha como título a “Iniciação à Vida Cristã”. Fiz um relato da XXX Assembléia do Povo de Deus, que havia dedicado todo o encontro da Igreja paranaense a esse tema, recomendando às dioceses que fosse aprofundado e incluído no planejamento pastoral. Esse tema não surgiu por acaso. Há anos vem sendo proposto pela Igreja, e mereceu boas páginas do Documento de Aparecida. Foi um dos aspectos mais destacados do Ano Catequético e da 3ª Semana Brasileira de Catequese, de setembro passado. Por todas essas razões, a nossa IX Assembléia Diocesana, de fevereiro deste ano, só poderia estar em sintonia com a Igreja paranaense, brasileira e continental. E foi o que aconteceu de fato na Assembléia. Um grande debate que teve como tema: “Adultos na Fé, comprometidos com a Caridade”, e donde surgiram as propostas que estão abaixo.
Um fenômeno que nos desafia
Fui rever o Documento de Aparecida, nossa fonte mais generosa de inspiração pastoral atualmente. Recomendo aos nossos leigos dos Conselhos Paroquiais e coordenações dos Movimentos e Pastorais, que leiam juntos, sobretudo os parágrafos 286 até 300. Ali encontrarão o contexto, o chão, onde serão plantadas as propostas que vieram da Assembléia. Ali encontramos as razões para um forte investimento na formação de cristãos adultos na fé: “São muitos os cristãos que não participam da Eucaristia dominical, nem recebem com regularidade os sacramentos, nem se inserem ativamente na comunidade eclesial... Temos alta porcentagem de católicos sem a consciência de sua missão de ser sal e fermento no mundo, com identidade cristã fraca e vulnerável... Isso constitui grande desafio que questiona a fundo a maneira como estamos educando na fé e como estamos alimentando a experiência cristã, desafio que devemos encarar com decisão, coragem e criatividade...”(DA,286). A linguagem do Documento de Aparecida não poderia ser mais clara. O que não nos parece claro é por onde começar, com quem contar, quais as etapas de um itinerário de iniciação que nos leve a esse amadurecimento da fé. Não há dúvida de que temos progredido, sim, na catequese, no conhecimento da Escritura, e mesmo na estruturação das comunidades. Mas esse crescimento será suficiente para não deixar que chegue até nós o secularismo e o abandono dos valores cristãos como temos visto nos países do primeiro mundo? Ou achamos que isso não vai chegar aqui no nosso pedaço de mundo onde a tradição religiosa, as devoções familiares, os símbolos religiosos marcam forte presença?
Iniciação também aos adultos
Não basta que as crianças sejam iniciadas à vida cristã. Também adultos já batizados devem ser iniciados. A começar por aqueles que já participam da igreja. Estes, depois de comprometidos pela iniciação, terão consciência da missão de ser “sal e fermento no mundo”, repetindo a expressão de Aparecida. Esse espírito deve estar presentes em todas as ações comunitárias, desde as capelas, paróquias e estruturas diocesanas.
Ouvi o relado da Coordenadora da Catequese do Regional Sul 2, Dª Regina Mantovani, falando aos bispos reunidos recentemente em Jacarezinho: “a Catequese vai abraçar a iniciação à vida cristã, de modo a envolver toda a pastoral orgânica das paróquias”. Quem bom que a Catequese já está dando esse passo. E é só começo. Esperamos que chegue o momento em que todos os braços da pastoral orgânica abracem, junto com a catequese, essa iniciação.
Propostas da Assembléia
Colocado este quadro como ponto de partida, podemos assimilar as propostas que os participantes da Assembléia entenderam como oportunas, conhecendo as fragilidades e necessidades da nossa realidade diocesana. As prioridades da Diocese continuam as mesmas: Família e Juventude. A prioridade do Regional continua a mesma: a Renovação das Paróquias. A forma de concretizar essas prioridades do Regional e da Diocese é que passam por esses pontos da Assembléia que passo a comentar:
1. Equipes de Batismo e de Matrimônio – A procura por esses sacramentos é o caminho por onde chegam à Igreja muitos irmãos que vivem afastados da Eucaristia dominical e da vida comunitária. “Cursinhos” obrigatórios, e pouco convincentes, os afastam ainda mais da Igreja. A Assembléia pede que as equipes se encontrem por setores, por grupos de paróquias, troquem experiências e roteiros, renovem os encontros, fazendo-os atraentes, conhecendo mais as necessidades dos participantes, envolvendo-os na vida comunitária, oferecendo-lhes mais do que um “certificado” pra receber o sacramento e permanecer distantes.
2. Diretorias das Capelas e CAFs – A noção de Igreja como um único corpo de Cristo, que se expressa pela rede de comunidades que formam as paróquias, numa única família diocesana, é por vezes esquecida por algumas lideranças comunitárias. A preocupação com as festas e com a administração faz com que as Diretorias e CAFs não mostrem interesse pelo lado pastoral e evangelizador. A IX Assembléia pede que aqueles que coordenam e administram as comunidades tenham oportunidade de ser instruídos quanto a esse aspecto de seu trabalho, para que possam somar esforços, e não ser empecilhos para o trabalho missionário e pastoral.
3. As Escolas como espaço de evangelização – Nos últimos anos as escolas públicas e até as Instituições particulares de ensino, foram proibidas pelo poder público de promover o ensino religioso confessional. Mesmo numa região de forte predominância católica, como a nossa, houve uma restrição quase completa do ensino religioso e diminuição da presença dos sacerdotes e catequistas na escola. A volta do ensino religioso confessional e plural (isto é, católico e das demais religiões) foi agora aprovada pelo acordo celebrado entre o Governo Brasileiro e a Santa Sé. Precisamos preparar professores para esse grande campo de apostolado, sabendo que há muitas objeções a vencer. Um bom começo seria aproveitar os espaços e tempos disponíveis para uma presença mais sistemática no mundo da educação, organizando bem a pastoral universitária, a pastoral da educação e os programas especiais de encontros e palestras e testemunho cristão no mundo estudantil.
4. Animação missionária – As modalidades são diversas, desde a realização de Missões Populares, oferecidos pelas Congregações Religiosas (saletinos, capuchinhos e outros) até a formação de uma equipe missionária paroquial que, depois de um período de formação específica dos missionários, organiza as visitas aos diversos setores da Paróquia, animando a vida cristã e convidando a uma participação mais intensa na vida da Igreja. Diversas experiências foram relatadas na IX Assembléia. A Comissão Missionária Diocesana já realizou missões em diversas comunidades paroquiais e tem o objetivo de passar por todas as paróquias. A Missão Continental é um imperativo lançado na Conferência de Aparecida e a IX Assembléia pede que cada paróquia trace o seu percurso missionário, dentro de sua realidade.
5. Pastoral Bíblica - A IX Assembléia pede reforçar a Pastoral Bíblica, desde o incentivo da leitura orante da Bíblia nos grupos organizados e pastorais, envolvendo as instâncias da catequese, da pastoral familiar, retiros, escola bíblica paroquial, tudo o que for possível para que a Palavra de Deus seja iluminadora de todas as pastorais.
6. Liturgia – Os participantes da IX Assembléia Diocesana reconhecem que as nossas celebrações litúrgicas nem sempre proporcionam um encontro vivo com o Senhor. As Equipes litúrgicas precisam ser reforçadas com formação específica. Uma equipe diocesana encarregada da formação, acompanhamento e aprimoramento da vida litúrgica nas comunidades, expressão de uma comunidade viva e orante, deve ser incentivada.
As propostas, votadas no final da Assembléia, são essas. Aqui foram enriquecidas com a reflexão feita nos grupos e á luz das prioridades anteriormente assumidas. Esses pontos não são restritivos, não impedem que as comunidades encontrem, além desses, outros caminhos para fortalecer a vida cristã de adultos na fé. O compromisso com a caridade, ficou expresso no tema da IX Assembléia, ficou um tanto implícito, pois ele se traduz na comunhão eclesial, mas merece ser desenvolvido nas etapas que virão. Que Deus nos permita chegar à plena estatura do amor, decorrência da graça derramada em nossos corações
PROPOSTAS APROVADAS NA IX ASSEMBLÉIA DIOCESANA DE UNIÃO DA VITÓRIA, em 27.02.2010
Os Conselhos Paroquiais da Ação Evangelizadora (CPAEs) tomem estas propostas em consideração, em suas reuniões ordinárias, e elaborem, em consonância com elas, e respeitando a realidade própria de cada paróquia, o planejamento de suas ações.
1. Renovar os encontros de Preparação para o Batismo e o Matrimônio, contribuindo com a iniciação à vida cristã dos adultos;
2. Desenvolver a consciência evangelizadora das Diretorias Comunitárias das Capelas e dos Conselhos de Administração e Finanças;
3. Articular e dinamizar ações específicas junto às instituições de ensino, em todos os seus níveis;
4. Consolidar a formação das Comissões Missionárias Paroquiais;
5. Investir na dinamização da Pastoral Bíblica em suas múltiplas possibilidades;
6. Qualificar e organizar a vida litúrgica da Diocese e das comunidades..
Dom
João
Bosco Barbosa de Souza, ofm
Bispo Diocesano de União da Vitória
dombosco@dioceseunivitoria.org.br