Igreja Católica Apostólica Romana

Família, sinal visível de Deus que é amor

Por, Paulo Eduardo de Oliveira. paulo.eduardo.oliveira@hotmail.com

São João, na sua Primeira Carta, assim nos ensina: “Deus é amor; e quem está no amor está em Deus, e Deus nele” (1Jo 4,16). Comentando essas palavras de São João, o Papa Bento XVI, na sua Encíclica Deus Caritas Est (Deus é amor), assim escreveu: “Estas palavras da I Carta de João exprimem, com singular clareza, o centro da fé cristã: a imagem cristã de Deus e também a consequente imagem do homem e do seu caminho” (n. 1).

O amor de Deus se manifesta primeiramente na obra da criação: Deus não tem necessidade de nada; ele criou todas as coisas e a nós simplesmente por amor. São João Paulo II nos ensina que se fomos criados por amor, também somos chamados ao amor: “Deus criou o homem à sua imagem e semelhança: chamando-o à existência por amor, chamou-o ao mesmo tempo ao amor” (Exortação Familiaris Consortio, n. 11).

Mas, além da criação, é na obra da redenção que se manifestou o amor de Deus de forma ainda mais plena. Deus, que nos criou por amor, não nos abandonou ao poder do pecado e da morte, mas veio em nosso resgate por meio de Jesus Cristo. Por isso, o mesmo São João, nas primeira páginas do seu Evangelho, vai escrever: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

E assim continua São João Paulo II a nos ensinar sobre o amor de Deus e sobre a vocação do homem e da mulher ao amor: “Deus é amor e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando-a à sua imagem e conservando-a continuamente no ser, Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação, e, assim, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão. O amor é, portanto, a fundamental e originária vocação do ser humano. Enquanto espírito encarnado, isto é, alma que se exprime no corpo informado por um espírito imortal, o homem é chamado ao amor nesta sua totalidade unificada. O amor abraça também o corpo humano e o corpo torna-se participante do amor espiritual” (Exortação Familiaris Consortio, n. 11).

Esta dupla realidade do amor, enquanto dimensão corporal e espiritual, pode ser vivida de dois modos próprios, segundo a vontade de Deus, como nos ensina São João Paulo II “A Revelação cristã conhece dois modos específicos de realizar a vocação da pessoa humana na sua totalidade ao amor: o Matrimónio e a Virgindade. Quer um quer outro, na sua respectiva forma própria, são uma concretização da verdade mais profunda do homem, do seu ‘ser à imagem de Deus’” (Exortação Familiaris Consortio, n. 11).

Disso decorre o caráter também espiritual da própria sexualidade humana, como continua a nos ensinar o Papa Wojtyla: “Por consequência a sexualidade, mediante a qual o homem e a mulher se doam um ao outro com os atos próprios e exclusivos dos esposos, não é em absoluto algo puramente biológico, mas diz respeito ao núcleo íntimo da pessoa humana como tal. Esta realiza-se de maneira verdadeiramente humana, somente se é parte integral do amor com o qual homem e mulher se empenham totalmente um para com o outro até à morte. A doação física total seria falsa se não fosse sinal e fruto da doação pessoal total, na qual toda a pessoa, mesmo na sua dimensão temporal, está presente: se a pessoa se reservasse alguma coisa ou a possibilidade de decidir de modo diferente para o futuro, só por isto já não se doaria totalmente” (Exortação Familiaris Consortio, n. 11).

Associada a esta entrega total entre os esposos, entrega que nasce do amor, está a responsabilidade sobre a geração dos filhos. O Papa João Paulo II assim escreveu sobre esta questão: “Esta totalidade, pedida pelo amor conjugal, corresponde também às exigências de uma fecundidade responsável, que, orientada como está para a geração de um ser humano, supera, por sua própria natureza, a ordem puramente biológica, e abarca um conjunto de valores pessoais, para cujo crescimento harmonioso é necessário o estável e concorde contributo dos pais” (Exortação Familiaris Consortio, n. 11).

Em nossos dias, vivemos uma cultura extremamente erotizada, que banalizou a sexualidade e afrouxou todos os limites morais, como se tudo fosse permitido. Porém, os cristãos não se devem deixar iludir pelos contra valores da cultura atual. Para a Igreja, que vive inspirada à luz do Evangelho, somente no matrimônio é que é possível viver esta dimensão espiritual da sexualidade entre homem e mulher.

Por isso, escreve São João Paulo II:

“O ‘lugar’ único, que torna possível esta doação segundo a sua verdade total, é o matrimônio, ou seja o pacto de amor conjugal ou escolha consciente e livre, com a qual o homem e a mulher recebem a comunidade íntima de vida e de amor, querida pelo próprio Deus que só a esta luz manifesta o seu verdadeiro significado. A instituição matrimonial não é uma ingerência indevida da sociedade ou da autoridade, nem a imposição extrínseca de uma forma, mas uma exigência interior do pacto de amor conjugal que publicamente se afirma como único e exclusivo, para que seja vivida assim a plena fidelidade ao desígnio de Deus Criador. Longe de mortificar a liberdade da pessoa, esta fidelidade põe-na em segurança em relação ao subjetivismo e relativismo, fá-la participante da Sabedoria Criadora” (Exortação Familiaris Consortio, n. 11).

Que estas reflexões ajudem nossas famílias a viver o verdadeiro amor, para poderem ser sinais visíveis do Amor de Deus.

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