Igreja Católica Apostólica Romana

Eleições: para quem votar?

 

 Estamos no momento mais complicado da história política do Brasil. Temos uma eleição para seis cargos na esfera federal e estadual: Presidente, dois Senadores, Deputado Federal, Governador e Deputado Estadual. Temos que escolher seis nomes dentre vários que se colocaram à disposição nesta eleição. Mas em quem votar? É a grande dúvida de grande parte dos brasileiros. A CNBB que é a organização dos Bispos da Igreja Católica no Brasil publicou uma cartilha de orientação para essas eleições, a CNBB não impõe nada, ela simplesmente faz uma orientação para a hora do voto baseado nos princípios evangélicos.

1 . Precisamos de bons políticos:  O Papa Francisco disse ao políticos latino-americano: “Precisamos de políticos que anteponham o bem comum aos seus interesse privados” . Isso quer dizer que precisamos de políticos que vivam com paixão o seu serviço ao povo.

2 . Premissa: A Igreja Católica e a CNBB não tem identidade ideológica com nenhum partido político, mas tem comprometimento com a política, “pois a política tem a ver  com a paz a justiça e cuida da vida de uma cidade, de um povo inteiro e da humanidade” (Cartilha de Orientação Política, p. 2).

3. Preocupações: Os Bispos colocam cinco preocupações para essa eleição:

– Crise Ética: estamos vivendo uma crise ética bem acentuada no Brasil, a ética regula os relacionamentos entre as pessoas e as instituições, mas para a ética funcionar é necessário que sejamos todos justos, honestos e respeitosos com seus semelhantes. Uma pergunta que temos que nos fazer antes de votar: As minhas atitudes são justas e honestas?

– Ameaças à democracia: a nossa democracia é jovem em relação a vários países, e sempre está caminhando na corda bomba. A Constituição coloca com um ponto importante para a democracia que nós temos o direito de escolher os nossos representantes diretamente. E a escolha precisa observar os políticos que utilizem os recursos públicos para o bem comum e não para privilegiar um grupo político ou bancadas parlamentares. Uma ameaça grande a democracia é a venda de votos, tanto aquele que compra como o que vende voto são corruptos. Sejamos todos defensores da democracia, como? Não votando em quem participa de bancadas políticas que tem como objetivo se beneficiarem politicamente e economicamente; não vendendo seu voto e denunciando o político que tentar comprá-lo; não votando em candidatos que propõem um regime diferente da democracia, como a volta da ditadura,  em candidatos contra a  democracia.

– Corrupção: “A política está a serviço do bem comum. A corrupção pública , ao invés, é roubo daquilo que é comum : os recursos públicos.” (Cartilha de Orientação, p. 5). A CNBB já vem orientando o povo brasileiro deste de 2016 sobre esse tema, os Bispos nos dizem que temos que banir a corrupção, que assola nosso país deste sua independência, envolvendo agentes públicos, políticos e empresários. “Nestas eleições, não seja conivente com a corrupção. Não vote em candidatos que tenham atos corruptos comprovados pela justiça.” Cartilha de Orientações, p. 6).  Pergunta: O que você está fazendo para eliminar a corrupção?

– Acirramento da polarização: “É preocupante o discurso de ódio e de mútua intolerância que se instaurou entre as denominadas esquerda e direita.” (Cartilha de Orientações, p. 7).  Neste quesito temos que respeitar os valores da convivência democrática, promovendo o debate político com serenidade e tolerância. Podemos colocar nossa opinião e até se manifestar em quem votar, mas não podemos em hipótese alguma xingar candidatos, ou pessoas que pensem diferente, ou , ainda, que utilizem roupas de uma determinada cor. Pergunta: Você tem atitudes fanáticas? Sabe dialogar pacificamente com quem pensa diferente?

– Sinais de Esperança: “Alegres por causa da esperança” (Rm 12,12) ‘é o título da cartilha. Trata-se da esperança cristã, que nos faz acreditar num futuro com mais ética e justiça.’ (Cartilha de Orientações, p. 8). Todos temos esperança de mudanças, para melhor, no âmbito político e econômico, e para isso o momento requer uma renovação no Congresso. A Lei da Ficha Limpa veio para barrar os políticos corruptos comprovados pela justiça, mas mesmo assim tem candidatos que conseguem se candidatar através de liminares, mesmo sendo condenados em segunda instância, por isso não adianta nada eu gritar contra a corrupção e votar nesses candidatos já condenados. Temos que nos organizar para cobrarmos mais honestidade e transparência de quem vai ser eleito. “Enfim, o grande protagonista das mudanças que o Brasil precisa é o povo, é você!” (Cartilha de Orientações, p. 8).

4. Em quem votar?

            A Cartilha faz algumas orientações práticas de como escolher um candidato:

  • – Tenha interesse pela política;
  • – Escolha candidato que tenha boa índole;
  • – Conheça o Estatuto do Partido ao qual pensa em votar;
  • – Procure conhecer a história e o programa de governo dos seus candidatos;
  • – Uma pergunta pertinente: QUAL É O PROJETO DO CANDIDATO EM QUE PRETENDO VOTAR? ESTE CANDIDATO ESTÁ COMPROMETIDO COM QUEM? QUE EXPECTATIVAS POSSO TER EM RELAÇÃO A ELE?

5. Vote em quem…

  • – tenha valores cristão;
  • – tenha competência política e capacidade de liderança;
  • – defenda a vida;
  • – defenda a família;
  • – tenha comprometimento com as causas dos mais necessitados;
  • – tenha atitude de respeito com os demais candidatos;
  • – apresenta coerência entre as palavras e a prática;

6. Não vote em quem…

  • – é desonesto;
  • – tenta comprar seu voto;
  • – faz da política uma profissão;
  • – Apresenta atitude agressivas, tanto físicas como oralmente;
  • – muda frequentemente de partido, sempre conforme suas conveniências;
  • – é arrogante, demagogo, apresenta-se bem, mas não possui propostas efetivas;
  • – atenta contra a vida dos pobres e sua dignidade;
  • – ameaça a matar ou expulsar seus adversários do Brasil;
  • – vai contra os valores colocados por Jesus Cristo nos Evangelhos, como: paz, justiça, amor, compreensão e perdão.

            Por fim não deixe de votar, escolha seu candidato, sua ausência enfraquece a democracia. Boa eleição a todos.

Célio Reginaldo Calikoski – Coordenador Diocesano da Catequese.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado.

*