Neste quinto encontro do caminho jubilar, somos convidados a meditar sobre a importância da peregrinação na vida cristã. Peregrinar é mais do que deslocar-se a um lugar sagrado: é assumir, com fé e humildade, um caminho que transforma, ilumina e renova o coração.

À luz da tradição bíblica e da experiência da Igreja, incentiva que iniciemos o encontro com a oração e a invocação do Espírito Santo, recordando a história da salvação, nos abrindo à ação de Deus, fortalecendo a comunhão fraterna e elevando o olhar para o alto, onde está o nosso verdadeiro destino.
Por meio das leituras, reflexões e preces, poderemos redescobrir a peregrinação como um gesto que fortalece a fé e aproxima cada fiel do amor de Deus.
5º encontro: Peregrinações
T.: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Dir.: Irmãos e irmãs, sejam todos bem-vindos. Para começarmos bem o nosso encontro vamos invocar o Divino Espírito Santo.
T.: Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis
e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado. E renovareis a face da terra.
Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos Vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito, e gozemos sempre da Sua consolação. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.
- Pondo-se a Caminho
Dir.: Uma peregrinação é uma viagem de cunho religioso, pedindo ou agradecendo uma graça recebida ou cultuando a Deus, Nossa Senhora ou um santo. Ela busca um lugar que se tornou especial por uma ação de Deus, direta ou indireta. A principal meta de peregrinações é a Terra Santa, mas também são importantes os lugares relacionados aos Apóstolos, como Roma (túmulos de S. Pedro, S. Paulo, S. Judas Tadeu, S. Tiago Menor, S. Felipe, S. Bartolomeu e S. Simão) e Santiago de Compostela (S. Tiago Maior), a aparições de Nossa Senhora (Fátima, Lurdes, Guadalupe) ou a santos (Assis, Pádua). No Brasil, a maior meta de peregrinações é Aparecida, mas os Santuários de Santa Paulina (SC), Bom Jesus da Lapa (BA) e Divino Pai Eterno (GO) também recebem muitos romeiros. Na nossa Diocese, temos o santuário de N.S. do Rosário em Rio Claro do Sul, município de Mallet.
T.: Somos um povo que alegre vai,
marchando dia a dia ao encontro do Pai!
L.1: A Bíblia fala de várias peregrinações. O “pai dos peregrinos” é Abraão, que obedeceu a voz de Deus que lhe dizia: “Sai da tua terra e vai para onde Eu vou te mostrar” (Gn 12, 1). Muito importante também foi a peregrinação do Povo de Israel para a Terra Prometida, atravessando o deserto guiados por Moisés.
O momento mais triste da história de Israel foi uma espécie de anti-peregrinação, que foi a deportação para o exílio da Babilônia, quando o povo foi afastado da Terra Prometida. Proporcional a essa tristeza, porém, foi a alegria do retorno, cinquenta anos mais tarde. Não é de se estranhar, portanto, que a Lei de Moisés mande que todos peregrinem para Jerusalém três vezes por ano (cf. Dt 16, 16).
T.: “Somos peregrinos nesta terra, a caminho da Pátria celeste” (cf. Hb 11, 13-14)
L.2: A Sagrada Família cumpria essa ordem, como diz Lc 2, 41, o que fez com que Jesus se criasse num ambiente de peregrinação. Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas (chamados de “Sinóticos”) apresentam todo o ministério de Jesus como uma grande peregrinação para Jerusalém, em cujo caminho Ele vai pregando a Boa nova, fazendo curas, milagres, etc. Mas Jesus, além de peregrino, também foi meta de peregrinações, desde a visita dos Magos. Ao longo de Sua vida, muitos foram ao Seu encontro e, depois de Sua morte e Ressurreição, os lugares relacionados a Ele ganharam importância e significados especiais.
T.: “No coração da Fé cristã não está uma ideia, mas um encontro, o encontro com Jesus” (Papa Francisco)
Dir.: Rezemos um dos Salmos de peregrinação:
T.: “Que alegria, quando ouvi que me disseram: ‘Vamos à casa do Senhor!’ E agora nossos pés já se detêm, Jerusalém, em tuas portas. Para lá sobem as tribos de Israel, as tribos do Senhor. Para louvar, segundo a lei de Israel, o nome do Senhor. A sede da justiça lá está e o trono de Davi. Rogai que viva em paz Jerusalém, e em segurança os que te amam! Que a paz habite dentro de teus muros, tranquilidade em teus palácios! Por amor a meus irmãos e meus amigos, peço: ‘A paz esteja em ti!’ Pelo amor que tenho à casa do Senhor, eu te desejo todo bem!”
2. Peregrinando Em Todas As Direções
Dir.: A Peregrinação acontece, em primeiro lugar, para frente, pois nos põe a caminho, nos tira do nosso comodismo, da nossa zona de conforto. Mas também nos faz olhar para trás, recordar o passado, lembrar o que aconteceu no lugar para onde se caminha, conhecendo os episódios da Bíblia ou da vida do santo ligados a ele.
T.: O destino ilumina o caminho, o caminho prepara para o destino
L.1: Mas a Peregrinação também acontece para dentro. Cada passo externo deve ser acompanhado de um passo interno, que nos leva a encarar nossos sentimentos, pensamentos, e oferecer tudo a Deus: os bons para serem acolhidos e os ruins para serem transformados. É no mais íntimo de nós que Deus habita, e é só assim que conseguimos chegar até Ele.
T.: “Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação” (Sl 24, 5)
L.2: Além de ser um caminho para a frente, para trás e para dentro, a peregrinação também nos faz caminhar para o lado, pois ela não se faz sozinho. Às vezes podemos até começar sozinhos, mas no meio do caminho encontramos companheiros, com quem partilhamos nossas alegrias e esperanças, nossas tristezas e angústias. O Papa Francisco também recorda uma espécie de norma das peregrinações que diz que a velocidade da caminhada deve ser a da pessoa mais lenta, ou seja, quem tem mais condição se faz solidário com quem tem menos. Assim, ser peregrino é caminhar com os sapatos do próximo, é colocar-se no seu lugar, é ter paciência e compreensão, é andar não como um lobo solitário, mas como um povo, uma família.
T.: ”Quem caminha sozinho não tem quem o ajude a levantar” (Ecle 4, 10)
Dir.: Por fim, a peregrinação, além de nos fazer caminhar para frente, para trás, para dentro e para os lados, é, acima de tudo, um caminhar para cima, uma superação do nosso ego e uma busca de Deus. O peregrino vê o invisível, sente o perfume da presença de Deus, busca Aquele que já o encontrou, sabe que o seu lar é o coração do Senhor. T.: “A Vossa palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Sl 118, 105).
3. Oração
Dir.: Apresentemos agora nossas preces ao Senhor:
L.1: Perdoai-nos, Senhor, pelas vezes que nos acomodamos e não Vos buscamos
T.: Senhor, tende piedade de nós.
L.2: Dai-nos a graça, Senhor, de peregrinarmos na direção do próximo, principalmente dos que mais precisam
T.: Senhor, atendei a nossa prece.
L.1.: Senhor, nós agradecemos por todos os que trabalham em santuários, acolhendo os romeiros
T.: Obrigado, Senhor.
L.2: Bendita sejais, ó Santíssima Trindade, porque sois Perfeita, Eterna e Infinita
T.: Bendito seja Deus para sempre.
Dir.: Peçamos a intercessão, a bênção, a proteção de Nossa Senhora, rezando: Ave Maria, cheia de graça…
Dir.: Encerremos esse nosso encontro rezando a Oração do Jubileu:
T.: Pai que estais nos céus, / a Fé que nos destes no Teu Filho Jesus Cristo, nosso irmão, / e a chama de Caridade, / derramada nos nossos corações pelo Espírito Santo/ despertem em nós a bem-aventurada Esperança / para a vinda do Teu Reino.
A Tua graça nos transforme em cultivadores diligentes das sementes do Evangelho/ que fermentem a humanidade e o cosmos, / na espera confiante dos novos céus e da nova terra, / quando, vencidas as potências do Mal, / se manifestar para sempre a Tua glória.
A graça do Jubileu reavive em nós, / Peregrinos de Esperança, / o desejo dos bens celestes/ e derrame sobre o mundo inteiro / a alegria e a paz do nosso Redentor.
A Ti, Deus bendito na eternidade, / louvor e glória pelos séculos dos séculos. Amém!
Dir.: O Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à Vida Eterna. T.: Amém.
Conteúdo: Pe. Emílio
Bortolini Neto









