Igreja Católica Apostólica Romana

História da Diocese

 

Assim como os outros municípios do sul do Paraná, União da Vitória teve seu início com a penetração das bandeiras pelo expedicionário Zacarias Dias Cortes, entre outros que adentraram nestas terras durante o século XVIII. A primeira zona a ser cruzada foi a de Bituruna, dominada pelos “ferozes” índios biturunas. Com a ocupação dos campos de Palmas e a fundação da cidade, abriu-se um caminho para o transporte de sal do litoral, e do gado de Palmas para os grandes centros de São Paulo, atravessando os campos de Guarapuava. Mas o capitão Pedro de Siqueira Cortes, ao tentar um caminho mais curto para os campos gerais de Curitiba, descobriu, em 12 de abril de 1842, umas léguas acima do entreposto N. S. das Vitórias (atual Porto Vitória) um vau no Rio Iguaçu, para a travessia das tropas de gado e montarias, de Palmas para os grandes centros (Sorocaba, etc). Era o início do povoado onde está Porto União da Vitória. Era o ponto de travessia pelo vau para as tropas provenientes de Palmeiras e o porto de desembarque para canoeiros provenientes do Porto Caiacanga (atual Porto Amazonas).

O Coronel Amazonas de Araújo Marcondes (proveniente de Palmas, junho de 1880) organizou uma empresa de transporte fluvial, adquirindo o primeiro vapor denominado “Cruzeiro”, (17 de dezembro de 1882), seguido por outros vapores, lanchas e um rebocador de outras empresas, navegando o Rio Iguaçu entre Porto Amazonas e Porto União da Vitória.

Em 22 de março de 1890 a freguesia de União da Vitória foi elevada a município, com o nome de Porto União da Vitória. No ano de 1905, os trilhos da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande atingem a cidade. Junto com a prosperidade das elites comerciais, veio o deslocamento pelas firmas estrangeiras (Companhia LUMBER – USA) dos posseiros e pequenos proprietários caboclos dos dois lados dos trilhos, com o corte mecanizado das magníficas florestas de pinheiros araucárias.

Em 26 de novembro de 1906 foi inaugurada a ponte férrea sobre o Rio Iguaçu, logo acima do Vau. Com a abertura de estrada e o transporte ferroviário para o Rio Grande do Sul, a navegação fluvial desapareceu nos anos 50.

Em fins do século XIX e inícios do século XX a região, esvaziada de tantos caboclos posseiros, ficou colonizada por numerosas levas de colonos europeus: alemães, poloneses e ucranianos; e ainda suíços e italianos.

A miséria gerada pelas expulsões, as intrigas políticas sobre as fronteiras entre o Paraná e Santa Catarina, e o aparecimento do monge João Maria, com seu messianismo cativante  (seguido por outros imitadores) numa região de pouquíssima evangelização, fez com que o encontro desses três fatores sociológicos cruzados, estourasse um conflito, com matanças sangrentas entre o exército brasileiro, aqui acantonado durante alguns anos, e os bandos dos “fanáticos”, posseiros desalojados, tomando proporções alarmantes: é a Guerra do Contestado (1912 – 1915).  Entretanto, é preciso registrar que em 1910 o município foi sede do efêmero Estado das Missões, desaparecendo logo com o fim da Guerra do Contestado e a assinatura do acordo dos novos limites estaduais (20 de outubro de 1916), dividindo Porto União da Vitória em duas cidades.

A primeira pedra da Igreja Sagrado Coração de Jesus, atualmente Catedral de União da Vitória, foi benta pelo Bispo de Curitiba, Dom João Francisco Braga, em 20 de maio de 1917, e construida primeiramente com verbas do Estado Paranaense, e em seguida, do povo local. O perímetro urbano do lado do Paraná, era praticamente um grande banhado ocupado por alguns prédios mandados construir em 1917 pelo Governo do Paraná, para afirmar sua presença.

A Diocese de União da Vitória foi criada pela Bula Pontifícia Qui Divino Consilio, do Papa Paulo VI, no dia 3 de dezembro de 1976, territorialmente composta de áreas tiradas da Diocese de Ponta Grossa, da Arquidiocese de Curitiba e da Diocese de Guarapuava, composta de onze municípios do sul do Paraná, com uma população diminuta de talvez menos de 200.000. Os municípios de General Carneiro e Bituruna, tirados da Diocese de Palmas, foram anexados a União da Vitória só em 9 de fevereiro de 1984, com o Decreto da Congregação para os Bispos “De mutatione finium”. Isto fez com que a nova configuração territorial, agora com mais de 10.000 Km², colocasse esta novel diocese no nono lugar, territorialmente, entre as dezessete dioceses paranaenses do Rito Latino.

No momento de sua instalação (06 de março de 1977), a diocese tinha menos de 8.000 Km², com onze municípios, doze paróquias (sendo quatro no perímetro urbano de União da Vitória, com oito padres) e um total de 18 padres, sendo 4 seculares e 14 religiosos, com 4 municípios sem padres, mais 40 religiosas de várias congregações.

No dia 6 de março de 1977, no Estádio Ferroviário, assume o primeiro bispo, numa cerimônia que contou com a participação de mais de 14 bispos do Paraná e de Santa Catarina e do Núncio Apostólico Dom Cármine Rocco. Após a sagração episcopal de Dom Walter Michael Ebejer, O.P., foi oficialmente instalada a Diocese e dando a nova Cátedra simbólica da diocese ao seu pastor, que desde então declarou que iria se concentrar na formação de líderes leigos e de novos sacerdotes.

Dedicou-se, a partir daí, ao seu compromisso, visitando assiduamente o interior e suas numerosas comunidades/capelas, expondo as diretrizes pastorais, incentivando o espírito comunitário, a implementação do Culto Dominical, a formação de Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística (MECEs). Entre outros projetos, ampliou a Rádio Educadora (da Mitra), iniciou o Boletim Diocesano “Estrela Matutina”, reforçou a catequese e as associações religiosas. Destacou também seu trabalho, uma campanha sistemática (em cada capela) de mentalização contra o Êxodo Rural, que estava ameaçando os pequenos agricultores e esvaziando o interior, e a adoção de modernos sistemas de agricultura. Até hoje é forte a presença do pequeno agricultor, e a construção e ampliação de capelas continua. Também dedicou tempo dirigindo pessoalmente inúmeros cursos de formação para leigos. Foi reitor do seminário maio e, até hoje, é professor de filosofia e teologia.

De fato, em fevereiro de 1984, foi inaugurado o primeiro bloco de quatro andares do Seminário Diocesano Rainha das Missões, para os alunos do seminário menor e do Propedêutico, inaugurando o Curso Institucional de Filosofia em 28 de janeiro de 1985, e o de Teologia em 22 de fevereiro de 1987. Em seguida, abriu as portas do seminário para religiosos locais e seminaristas de dioceses do centro e do nordeste do Brasil, formando bom número de padres para essas dioceses.

A diocese ordenou os primeiros diáconos permanentes em 1982, formados na Escola de Formação Permanente durante cinco anos; a segunda diocese do Paraná a estabelecer o diaconato permanente. Muito trabalho entre as comunidades agrícolas pelo Bispo e os padres, na formação dos primeiros sindicatos rurais da região e de uma pastoral Rural dinâmica e juvenil. A diocese organizou enorme rede de socorro e de cozinhas comunitárias durante as desastrosas enchentes de 1983, e uma campanha de distribuição de móveis (camas, colchões, guarda-roupas, mesas, etc.) a milhares de pessoas, financiada por benfeitores brasileiros, firmas internacionais, dioceses (inclusive a Santa Sé), a Cáritas Brasileira, a LBA, e outros, conseguindo construir dezenas de casas de material para os desabrigados.

Atualmente a diocese tem mais de quarenta sacerdotes, entre eles 25 do clero secular, doze diáconos permanentes (outros candidatos a serem ordenados logo) e umas quarenta religiosas. As paróquias são 25, com mais de 400 comunidades.  O Boletim diocesano “Estrela Matutina” tem uma tiragem de 12.000 exemplares. Foram celebradas seis Assembléias Diocesanas, até a chegada do novo Bispo Diocesano, Dom João Bosco Barbosa de Sousa, OFM*.

Fontes:

1. WOLFF, Therezinha. E assim nasceu Porto União da Vitória. União da Vitória, PR, Mineo, 1998.

2. União da Vitória: Guia Turístico Histórico Cultural, Fundação Municipal de Cultura, Gestão 1997-2000.

3. EBEJER, Dom Walter Michael, Relatório Histórico-Crítico sobre a Diocese de União da Vitória (1977 – 2005).