Igreja Católica Apostólica Romana

Jovem de Rio Azul entra no mosteiro aos 18 anos

Por, Marcelo S. de Lara

Moradora da comunidade de Cachoeira dos Paulistas, no município de Rio Azul – PR, Jéssica Dzirza, filha de João e Vilma, agricultores que trabalham na lavoura de fumo, desde criança alimentava o desejo de seguir a vida religiosa. Incentivada pelos pais a cultivar uma vida de fé, Jéssica conta que sempre esteve envolvida nas atividades da Igreja. “Desde pequena já atuava como coroinha na igreja onde participávamos. Depois, fui me envolvendo na liturgia, e também atuei como catequista em minha comunidade”, relembra a jovem.

Enquanto dava entrevistas ao Estrela Matutina, Jéssica Dzirza também aguardava o momento do início da Celebração e sua entrada no Mosteiro.

 

Os caminhos para a entrada no mosteiro foram se abrindo à partir de um retiro que Jéssica fez na igreja matriz de sua paróquia, em Rio Azul, com as Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo. O retiro foi pregado pelas irmãs missionárias, mas as mesmas irmãs apontariam para Jéssica o caminho da vida contemplativa. “No contato com as irmãs Missionárias do Verbo Divino em minha paróquia, a Irmã Íria além de me apresentar as atividades missionárias da Congregação, me falou que também havia o ramo da Adoração. Ela me trouxe para conhecer, resolvi fazer os três meses de experiência e, então tive a certeza de que ali era o meu lugar”, relatou Jéssica, sorridente.

Jéssica abraçada com seu familiares. No canto direito, seminarista Alex Gabrich e padre José Chipanski. Aos fundos,  duas das monjas do convento.

A entrada da jovem, para fazer uma experiência na vida monástica, se deu no dia 20 de janeiro, Festa litúrgica de São Sebastião Mártir. Ainda em uma sala de visitas, do lado de fora da clausura, vestida com o hábito branco e na companhia de seus pais, do seu irmão Jefferson e de sua cunhada Daniele, Jéssica desfrutava do afeto da família, enquanto aguardava o momento da cerimônia que se daria também pela celebração da santa missa.

Às três e meia da tarde abre-se então a porta de acesso ao claustro. Enquanto Jéssica se despede de seus familiares com abraço apertado e muitas lágrimas expressando a saudade, um corredor de irmãs, vestidas com hábito branco e rosa se formava para conduzir a jovem até a capela onde aconteceria a santa missa. Um crucifixo segue à frente, a porta da clausura então se fecha.

Vídeo da Entrada de Jéssica no Mosteiro.

Fonte: Setor de Comunicação da Diocese de União da Vitória

Na capela do Convento uma grade separa a assembleia do espaço das irmãs, mundo ao qual agora a jovem de dezoito anos decidiu fazer parte. “Quando eu soube que seria um vida mais fechada foi um impacto, mas já estou me habituando com a ideia, e também Deus dá força para mim e para a família. Sou indigna de estar aqui, mas se Deus me chama ele capacitará para trabalhar a saudade da família. Sinto alegria em estar correspondendo ao chamado que Deus me faz”, relatava ela em entrevista ao Jornal Estrela Matutina, minutos antes da celebração.

Jéssica conta sua vocação:

Citando o papa Francisco, padre José afirmava que não há crise de vocações, pois Deus está constantemente chamando.

A missa foi presidida pelo padre José Chipanski, pároco da paróquia Santa Bárbara, no município de Bituruna, e que há anos acompanha as irmãs do Convento Nossa Senhora do Cenáculo, da Congregação Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétuo, na cidade de Ponta Grossa -PR. “Faço esse trabalho de atendimento às monjas por meio de palestras de espiritualidade, confissões e orientação. Já acompanhei a entrada de muitas delas no mosteiro. Temos um contato bonito e uma amizade de anos”, recordava o padre, ainda no carro, à caminho do convento.

Contente por ser uma jovem da Diocese de União da Vitória, padre José diz que ficou feliz pela notícia. “No ano passado quando as irmãs me falaram da Jéssica, que iria fazer os três meses de experiência, antes de ingressar, comecei a acompanhá-la mais de perto. Fiz contato com a família e com alegria hoje celebro a missa da entrada dela no mosteiro. Inclusive, a madre geral da congregação que viaja por todo o mundo é também de nossa diocese. É motivo de orgulho e alegria para nós”, comentava o padre.

No espaço da capela reservado somente às monjas, Jéssica acompanhava atenta a celebração.

Sentada na segunda fileira do lado direito da capela, Jéssica em um dos momentos da celebração conduz uma vela acessa até a imagem de Nossa Senhora. Ainda um pouco inibida, mas com atenção, a jovem acompanhava a celebração. Logo atrás, do outro lado da grade, seus familiares e alguns fiéis, unidos no mesmo sentimento, também rezavam por aquele momento marcante para a jovem que na simplicidade e alegria, desejava consagrar sua vida a Deus, acreditando ser o chamado que sentia.

Para encorajar o espírito de todos, as leituras bíblicas na celebração alimentavam a fé. O trecho do Livro do Profeta Isaías, no capítulo 62,5 dizia: “Como a alegria do noivo pela sua noiva, tal será a alegria que o teu Deus sentirá de ti”. E o capítulo 2, do Evangelho de São João, relatava a presença de Jesus em um casamento, em Caná da Galileia, demonstrando o amor e a fidelidade de Deus por nós. Assim refletia padre José em sua homilia. “João nos mostra que Deus é fiel e espera a nossa fidelidade em seu amor. A Jéssica hoje está buscando a fidelidade em um casamento com Cristo. Lembramos que o papa Francisco já nos dizia que não existe crise de vocação. Deus está sempre chamando, assim como chama a Jéssica hoje. O que falta em alguns é o discernimento e a correspondência, a coragem de dar o sim”, esclarecia o sacerdote.

Terminada a celebração, novamente os familiares se reuniram para uma última conversa e um lanche. Jéssica já partilhava do espaço das religiosas.

 

Mais aliviados e fortalecidos pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, o familiares da jovem religiosa puderam ter mais um momento de conversa após a celebração. Agora, junto com as outras monjas, Jéssica estava do lado de dentro da clausura, contudo com um sorriso irradiante, contagiada também com o sorriso e a alegria daquelas mulheres que, na liberdade interior, expressavam satisfação em doar a vida de uma forma mais reclusa do mundo. “Até mesmo minha mãe no começo expressou uma certa resistência por eu entrar no mosteiro, mas depois, conhecendo melhor o ambiente, ela viu que não é um local triste só pelo fato de não poder sair. O Mosteiro não é um lugar triste. Não! As irmãs são muito alegres e felizes. É uma vida feliz aqui”, contatava a jovem junto às irmãs.

A visão do Mosteiro:

Do lado de fora do convento, mais reanimados, os pais tinham o semblante sereno e demonstravam satisfação pela escolha da filha. “Eu sinto muita alegria. Choro de emoção, pois é algo raro no mundo de hoje. Sentiremos saudades é claro, mas não tenho tristeza por isso, o amor de Deus vai nos unir pela oração ,e sempre que pudermos, viremos visitá-la. Sou muito grata a Deus por tudo o que ele tem feito por nossa família”, declarava a mãe Vilma, enxugando as lágrimas com um lenço ganho pelas monjas.

João e Vilma abraçam Jéssica, minutos antes da filha entrar dentro da Clausura.

O processo de doação na vida monástica é uma caminhada que se renova à cada dia, à cada ano, com os votos que são assumidos e renovados por cada religiosa. A jovem Jéssica está apenas no começo. O discernimento e a convicção de sua vocação será vivido à cada dia, com certas renúncias, mas feliz, e livre interiormente pela escolha feita, como ela mesma declarou em nossa reportagem. “Assim como quem entra no casamento deseja permanecer nele, eu entrei aqui, e desejo permanecer. Sinto que é para isso que Deus me chama”, partilhava ela, na certeza da fé.

Ainda que ela mesma não possa sair visitar seus pais de modo regular, além de contar com a alegria das monjas dentro do mosteiro, Jéssica poderá receber a visita de seus pais no convento, motivo também de alegria para seus familiares, além do júbilo de ver a filha querer seguir a vida consagrada.

SOBRE A CONGREGAÇÃO:

As Irmãs Servas Missionárias do Espírito Santo tem origem em 1896. Fundada por Santo Arnaldo Janssen, sacerdote alemão, padre Arnaldo havia colocado a serviço da Igreja duas congregações de vida ativa, mas via a necessidade das orações para que a obra missionária alcançasse os frutos desejados. Por isso, fundou também o ramo contemplativo: as Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua.

Convento Nossa Senhora do Cenáculo, em Ponta Grossa. No canto direito, a Capela onde aconteceu a celebração eucarística.

 

O Convento de Ponta Grossa possui 18 Irmãs que levam com júbilo sua vida de adoração e contemplação, em benefício das missões.

Sete vezes ao dia, as irmãs se reúnem na Capela para cantar o Ofício Divino, prestando, em nome da Mãe Igreja, sucessivos atos de louvor e ação de graças a Deus Uno e Trino, Senhor da História.

Revezam-se 24 horas por dia diante do Santíssimo, apresentando suas orações a Jesus, por todos os necessitados.

O hábito cor-de-rosa simboliza a consagração de cada irmã ao Divino Espírito Santo, e a alegria de estar a serviço do Reino de Deus.

Religiosa no momento da Adoração ao Santíssimo. (Foto Divulgação).

——————–

SERVIÇO:
Convento Nossa Senhora do Cenáculo
Rua: Nunes Machado, 150 – Colônia Dona Luíza, Ponta Grossa – PR,
CEP: 84045-410
Telefone: (42) 3229 – 1629
E-mail:
sebprovsul@gmail.com
brs.com@worldssps.org

 

Texto e fotos:
Setor de Comunicação da Diocese

 

 
GALERIA DE FOTOS
Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado.

*